Conhecer na fonte e não na difamação...

04/12/2012

 

Atos dos Apóstolos 28.16-22

16 Quando chegamos a Roma, o centurião entregou os presos ao general do exército, mas a Paulo se lhe permitiu morar à parte, com o soldado que o guardava.
17 Passados três dias, ele convocou os principais dentre os judeus; e reunidos eles, disse-lhes: Varões irmãos, não havendo eu feito nada contra o povo, ou contra os ritos paternos, vim contudo preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos;
18 os quais, havendo-me interrogado, queriam soltar-me, por não haver em mim crime algum que merecesse a morte.
19 Mas opondo-se a isso os judeus, vi-me obrigado a apelar para César, não tendo, contudo, nada de que acusar a minha nação.
20 Por esta causa, pois, vos convidei, para vos ver e falar; porque pela esperança de Israel estou preso com esta cadeia.
21 Mas eles lhe disseram: Nem recebemos da Judéia cartas a teu respeito, nem veio aqui irmão algum que contasse ou dissesse mal de ti.
22 No entanto, bem quiséramos ouvir de ti o que pensas; porque, quanto a esta seita, notório nos é que em toda parte é impugnada.


Paulo não era um preso comum. Os demais presos são entregues ao centurião, mas ele pode morar com o soldado que o guardava. Ele tinha conquistado o respeito e quem sabe até a admiração. E isso lhe permitiu ficar preso de forma diferenciada, chegando até mesmo a convidar os principais judeus de Roma para conversar com eles sobre sua prisão e demais acontecimentos.

Os judeus de Roma dizem que não receberam nenhuma informação sobre o caso. Mas Paulo já era reconhecido como Cristão, pois os judeus dali citam a "seita", que no caso era o cristianismo. Lembremos que neste momento, judaísmo e cristianismo quase que andam juntos ainda, e o cristianismo é tido como um ramo do judaísmo, considerado pelo próprio judaísmo como heresia, como "seita". Mesmo assim, os judeus de Roma se interessam em ouvir sobre o caso de Paulo, até porque queriam entender o que estava acontecendo para que o cristianismo estivesse em tão grande evidência já naquele momento.

Muitos de nós ouvem alguma informação sobre algum mover diferente, alguma possibilidade de interpretação estranha, ou até mesmo sobre o que dizem e começamos a recriminar, a achar que existe algum erro, diante do que ouvimos. Mas poucos se preocupam em conhecer "na fonte". Há poucos dias eu descobri que outro grupo religioso diz que está mesmo escrito na Bíblia que chegaria ao ano 1.000 mas não passaria do ano 2.000. No entanto, não cita em qual passagem isso está escrito. Quer dizer: alguém disse que está e se acredita! E no meio do cristianismo se diz em algumas rodas que são os escritos desse grupo que na verdade dizem que chegaria a 1.000 e não passaria de 2.000. Mas também não citam em que parte do escrito tido como religioso que isso está. Mais um que ouviu e passa para frente, pois eu andei lendo e não achei! Que possamos, antes de criticar ou assumir uma ideia como a certa, ouvir e conhecer na fonte e não apenas com base no nosso pensamento ou no que as pessoas dizem. Pode ser que tenhamos entendido algo errado ou pode ser que as pessoas tenham entendido algo errado! E pode ser que quem começou a passar a ideia errada tinha consciência do que fazia, mas queria mais era ver o circo pegar fogo! E nós, de forma ingênua, corremos o risco de ajudar a perpetuar algo que não é verdadeiro. Que possamos nos preocupar em conhecer e conhecer na fonte, antes de assumirmos uma ideia como certa. Que tenhamos o desejo que parece ter sido o motivador desse grupo de judeus que queria ouvir de Paulo. Em vez de acreditar apenas no que ouviram de quem é contra mesmo, sobre o cristianismo, era melhor conhecer daquele que "era a favor". Que, assim, possamos nos preocupar em conhecer a verdade e passar apenas essa para a frente, mesmo que seja sobre algum grupo que entendamos como "herético", que conheçamos onde está a heresia e não apenas fiquemos repetindo o que os outros dizem! Não é porque há erro que podemos dizer "qualquer coisa"! É preciso dizer apenas o erro mesmo, para que não corramos o risco de acharem que estamos apenas querendo difamar e não alertar. E assim, testemunhar o respeito ao próximo e o desejo de apresentar apenas a verdade!

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 04/12/12 por e-mail.