Templo de confirmação! Tempo de instrução.

12/01/2012


Leia Esdras 7


No texto de hoje, vemos o rei preocupado em fazer o melhor para a construção da Casa do Senhor, que estava em Jerusalém. Essa casa que foi destruída quando do exílio, seus pertences saqueados e levados para a Babilônia e que, quando o povo conseguiu autorização para fazer a obra, ainda houve quem tentasse parar. Mas o Senhor usou o próprio rei para dar continuidade ao trabalho.

É muito bom notar que um rei que, teoricamente, só ouviu falar do Senhor, demonstrasse tanto carinho e zelo por essa Casa. É toque de Deus mesmo. O Senhor tocou os corações e Esdras foi escolhido para liderar esse povo no aspecto espiritual. Esse é o primeiro ponto que destaco: era necessário que um líder espiritual fosse levantado e o povo pudesse ouvir. Sabe por que? Porque o exílio tinha acontecido por desobediência aos preceitos da lei. E, como naqueles dias essa era a aliança (hoje temos a Graça), era necessário obedecer os preceitos da lei. Mas para obedecer, era necessário conhecer e o rei reconhece em Esdras aquele que poderia instruir o povo na lei. Se essa instrução não acontecesse, corria-se o risco de mais uma vez o povo deixar de lado as coisas da lei, ainda que em algum aspecto, e sofrer consequêcias por isso.

Vale ressaltar: o povo ficou no exílio o número de anos necessários para que a terra tivesse o descanso que era previsto na lei, o sétimo ano. O povo deixou de cumprir isso, talvez porque não via mal em deixar de lado, talvez porque achava que iam ficar sem alimento, ou sabe-se qual foi o motivo do descumprimento desse aspecto da lei. Mas isso levou o povo ao exílio e a terra descansou o número de anos que o povo ficou fora, o mesmo número de anos que o povo descuidou desde que descumpriu a lei até o tempo do exílio.

Então, era necessária uma nova instrução. O povo já tinha deixado de lado a instrução anterior e desobedecido, sofrendo as consequências do ato. Agora, tantos anos longe do Templo e da observação mais cuidadosa da lei, poderia acontecer de se deixar de lado mais aspectos dessa lei (veremos, em outro dia, permitindo o Senhor, que até mesmo na questão do casamento houve necessidade de ajuste! Isso mostra que em atitudes do dia a dia ou aquelas que acontecem de vez em quando também poderia ser necessário o ajuste). Afinal, longe do Templo e vivendo menos rigorosamente as instruções, e ainda por cima recebendo influência direta de outros povos, os judeus poderiam fazer algo que não estava exatamente na lei, mas que pareceria correto diante das experiências que eles tinham vivido e visto com outros povos ao longo dos anos. Era necessário "reprogramar" o conhecimento da lei para não errar novamente, quer por desconhecimento, quer por erro deliberadamente consciente ou ainda por conta de confusão diante da influência de outros povos. O rei sabia dessa possibilidade e destaca Esdras para o trabalho de "reconstrução" espiritual do povo, além, é claro, de ter todas as coisas antigas do Templo (já ungidas para o trabalho no Templo - Nabucodonosor passou por um período de loucura por se achar mais importante que Deus, e o filho dele perde o trono depois de usar indevidamente os utensílios ungidos do Templo), outras ajudas destacadas para a obra e toda liberdade de ação e de movimentação para tal intento. O Senhor preparou todas as coisas.

Era hora de voltar para casa. E voltar em grande estilo: com as coisas que foram saqueadas (então, devolvidas), com novos suprimentos, total liberdade para o trabalho (quer no local, quer se houvesse necessidade de deslocamento) e ainda com alguém liderando o povo para a reconstrução espiritual. Neemias seria o líder político, mas sobre ele vamos escrever mais depois, permitindo o Senhor. Estava confirmado sobre o povo a ordem da volta. Agora, era só realizar a obra e aprender com Esdras sobre a lei. E, claro, abandonar toda e qualquer prática errada, observando o certo.

Mais um registro: o texto se preocupa em deixar claro qual era o Esdras que faria o trabalho. Podemos imaginar muitas coisas - havia alguém com mesmo nome que queria fazer a obra, ou o texto foi escrito anos depois e alguns "Esdras" poderiam levar a fama... Não sei qual poderia ser o motivo. O que sei é que o texto deixa claro, para as linhagens de Israel, claro, de que Esdras está falando. Muitas vezes isso é realmente necessário, para deixar claro quem é responsável pelo trabalho, para que outros não tentem levar a fama ou até mesmo tomar a posição. Mas o que não podemos deixar de notar no texto é o cuidado do Senhor, nos mínimos detalhes, para a volta e reconstrução, tanto do Templo físico, com os utensílios, com outras provisões, e a reconstrução espiritual, mostrando que as duas precisam andar de mãos dadas. Pessoalmente, entendo que temos que dar mais ênfase na espiritual, mas é claro que isso não pode ser motivo para deixar de lado a física. As duas devem andar juntas, claro, mas se for necessário optar por um tempo, que se escolha a espiritual. Pois de nada adianta lindos templos sem a unção do Senhor. O ideal é ter os dois e devemos caminhar para isso. Mas se for necessário dar mais atenção a uma delas durante um tempo, é a espiritual que deve ser levada em conta. E quando for cuidar da física, não podemos descuidar da espiritual, claro! Podemos até por um tempo deixar de lado a física, mas mesmo que retomemos o cuidado com esta, a espiritual não pode ser descuidada em nenhum momento. A cada dia o Senhor quer nos dar mais entendimento e nos ajudar a crescer no conhecimento de Sua vontade. Deixemos Ele nos falar o melhor. Nosso coração pode (não quer dizer que vai, mas que pode) nos enganar, se não deixarmos o Senhor falar. Que a cada dia possamos crescer em conhecimento, edificando o templo espiritual que somos e, claro, não deixemos de cuidar do físico enquanto estamos por aqui.

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 12/01/12 por e-mail.