Modelo de Oração

28/11/2011

 

5ª parte

venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu - Mateus 6.10

Hoje, vamos nos deter com maior atenção na segunda parte do versículo - seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.

Esse é um pedido muito sério! Pedir que Deus realize Sua vontade, na terra, da mesma forma que é feita no céu, implica em algumas coisas: morte do eu, submissão, vontade de ver a manifestação de Deus muito mais do que as manifestações de seu poder e por aí vai!

Para definir morte do eu, devemos nos lembrar que os seguidores originais de Cristo tornaram-se discípulos quando lhe obedeceram (Mateus 4.22). A obediência à ordem de Cristo: “segue-me”, resulta na negação de si mesmo. Não é possível tornar-se discípulo sem morrer para si mesmo, sem negar nossas próprias vontades, e sem identificar-se com Cristo (Marcos 8.34) que morreu por nossos pecados. É imperativo deixar de lado a nossa própria vontade, nossos desejos, e buscar a vontade do Senhor para nossa vida. Deixar de lado obras da carne e buscar a diferenciação da direção do Espírito, vivendo a manifestação do Fruto do Espírito. Aqui também cabe o tema da submissão, pois quando deixarmos de lado nossa própria vontade, facilmente aceitaremos a vontade do Senhor. E mais: se essa vontade é boa, perfeita e agradável (Romanos 12.1-2), é sempre o melhor para o nosso viver, ainda que num primeiro momento pareça estranho. O Senhor sempre fará o melhor.

A respeito de esperar mais da manifestação do próprio Deus do que de Seu poder, precisamos entender que quando há curas, manifestações de línguas ou profecias, ou qualquer outra manifestação que Deus realiza, e que são importantes, são manifestações do poder de Deus. É Deus agindo na história. Tudo isso é importante, mas não podemos apenas ficar atrás das bênçãos e manifestações maravilhosas de Deus. Precisamos clamar pela presença Dele em nosso meio.

Claro que Deus é onipresente, o quer dizer que Ele está em todos os lugares ao mesmo tempo. Está aqui comigo enquanto escrevo e está aí com você enquanto você lê, não importanto quão longe estejamos. E Ele estará comigo também enquanto você lê este texto e está com você enquanto eu escrevo!

Mas, sei que você vai concordar, há momentos em que sentimos de maneira mais forte a presença de Deus. Ele passa a não apenas estar presente, mas se revelando. Muitos sentem isso apenas quando Ele está realizando grande coisas. Claro que será possível sentir Sua presença enquanto Ele realiza grandes obras! Mas há momentos, de uma simples bisa, quer dizer, sem grandes manifestações, onde sentimos claramente a presença do Senhor, não é mesmo?

É disso que estou falando. Não apenas esperar pela manifestação com grande sinais. Isso vai acontecer se buscarmos ao Senhor! Mas, além disso, o convite pela espera do reino, passa por esperar a presença do Senhor, independente de grandes realizações. Estas poderão acontecer! Mas precisamos sentir o toque do Senhor mesmo que não aconteça nada de tão espetacular aos olhos humanos. Digo isso exatamente porque quem sente esse toque do Senhor, mesmo sem grandes realizações de prodígios ou de bênção aparentes, se sente abençoado, mesmo sem que apareça grandes coisas aos olhos humanos imediatamente. Porque essa pessoa que foi tocada assim dará frutos e os dias mostrarão coisas grandiosas a partir de seu testemunho.

Falando do texto todo, unindo com o início do texto na semana passada: clamar para vir o reino e ser feita a vontade do Senhor aqui na terra da mesma forma que é feita no céu, é clamar por essa presença. Vivemos num "reino" complicado. Este mundo passa por muitos problemas e somos atingidos. Mas por fé, queremos viver algo do que será na eternidade já nos nossos dias. Por isso, clamamos que venha o reino do Senhor. Ainda que não possamos sentir completamente, por conta das coisas do dia a dia, podemos sentir em alguns momentos como será melhor quando tudo isso acabar. Já temos uma pequena amostra do que será a eternidade. E se já é bom, mesmo com as coisas do dia a dia nos sufocando, imagine como será quando não houver isso, na eternidade!

Clamar isso é pedir que Deus faça sua vontade. Sua vontade é realizada com presença no céu. Ele pode fazer muitas coisas, sabemos disso, mas muito mais que um relacionamento baseado em Suas manifestações de poder, Ele nos chama a um relacionamento pessoal, para "tomar chá" (no Brasil, um cafezinho) no final do dia, ou algo do tipo, como vemos no Gênesis, como Ele fazia com Adão e Eva antes da queda.

Não devemos apenas esperar as manifestações milagrosas. Essas vão acontecer e podemos esperar por elas. Não apenas os dons, mas devemos buscá-los, claro. Não prego contra essa busca, antes recomendo. Mas recomendo algo além: não busque Deus apenas pelo que Ele pode fazer, esperando por uma realização. Busque a Deus para ter intimidade com Ele. Busque as bênçãos, as manifestações e Ele fará isso, claro. Mas não fique esperando apenas por isso. Deixe Deus agir em você, mesmo que isso não mostre nenhuma manifestação externa imediatamente (como uma cura, por exemplo). Ele pode fazer isso, pode ter certeza. Mas busque a presença de Deus apenas para estar com Ele. Se essas manifestações maravilhosas não acontecerem aos olhos humanos, saiba que você ainda assim se sentirá abençoado, porque a presença do Senhor é fantástica. E os dias mostrarão que a bênção aconteceu e foi derramada sim! Sua vida será diferente, sua forma de encarar as coisas, a vitória ou os livramentos do Senhor sobre você serão mais notados e você verá mais claramente a manifestação das bênçãos do Senhor em sua vida e nas pessoas ao redor.

Esperar pelo Reino e pela vontade do Senhor é esperar pela manifestação de coisas grandiosas aos olhos humanos, claro. Mas muito mais que isso, é esperar a manifestação do Senhor. Não apenas a manifestação de Seu poder, com prodígios, maravilhas e sinais. Isso Ele fará! Mas é esperar pela manifestação da presença do Senhor. Não apenas pelas bênçãos que Ele derrama (e derrama mesmo), mas pela manifestação do próprio Deus da bênção.

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 28/11/11 por e-mail.