Somos chamados para a liberdade

04/08/2010

 

Gálatas 5.13-26
 

13 Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros.
14 Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
15 Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais uns aos outros.
16 Digo, porém: Andai pelo Espírito e não haveis de cumprir a cobiça da carne.
17 Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.
18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.
19 Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia,
20 a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos,
21 as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.
22 Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade.
23 a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.
24 E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
25 Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.
26 Não nos tornemos vangloriosos, provocando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.



O nosso texto trata a respeito de uma forma de liberdade. Podemos observar que o termo liberdade serviu a diversas conotações ao longo da história. Liberdade política, religiosa, ideológica, sexual. Liberdade contra a escravidão, opressão e do direito de se expressar e de viver...

Atualmente, um significado liberal tem lugar em nossa forma de viver, mesmo que não tenhamos consciência disso. Os meios de comunicação são fortes em querer demonstrar que tudo é lícito, tudo pode ser feito. Ou melhor: tudo deve ser feito de acordo com o que você quer. Não há necessidade de se pensar no outro.

A liberdade se torna no direito de prejudicar os outros em prol de um individualismo grosseiro, exagerado. A “liberdade” foi colocada como pretexto para o egoísmo, para atitudes que justificam um individualismo que oprime e destrói a liberdade do outro. Logo este tipo de liberdade se constrói a partir do roubo e da destruição da liberdade do outro. Isso é bem diferente do “ama o teu próximo como a ti mesmo…”.

Estudando sobre a comunidade da Galácia, pudemos ver a pluralidade de aspectos religiosos que compunham a comunidade em questão. Esse texto em particular, trata de um problema na comunidade em que a liberdade das obras da carne contrastava com a liberdade do fruto do Espírito, gerando divisões, querelas e a desunião da comunidade. A liberdade das obras da carne caracteriza-se em aspectos que visam apenas o bem-estar pessoal, em detrimento do bem-estar do próximo. São atitudes que estão presentes na vida de quem não conhece a Cristo e sua proposta para vida humana: Vida, e vida em abundância (Jo 10.10). A liberdade do Espírito visa também o que é do outro, sem contar que ela destrói as obras da carne. Uma vez vivendo a liberdade do Espírito, podemos amar ao próximo como a nós mesmos, realizando exatamente com o outro aquilo que gostaríamos que fosse realizado conosco.

A “liberdade” estava sendo usada como pretexto para condutas abusivas e contrárias ao amor ao próximo. Vejamos a lista das obras da carne que estão nesse texto, em 5. 19-21a. Divisões e contendas encobriam a unidade interna pela ausência do amor. Isso leva quem pratica tais obras a um fim certo: 5.21b.

Paulo observa nos irmãos da galácia dois pólos de tensão que estão presentes no ser humano: o agir segundo a carne e o agir segundo o Espírito. Esses pólos são como forças que o levam a um individualismo (quando agimos segundo a carne) ou uma atitude solidária e coletiva (quando agimos segundo o Espírito). Isso não é diferente em nós: precisamos, a cada dia, deixar para trás as coisas próprias da carne e buscarmos as coisas próprias do Espírito. A nossa tendência natural é para o pecado, para a morte, para as atitudes da carne. Vivificados pelo Espírito, podemos ir contra tais coisas, lembrando de outro texto atribuído ao apóstolo Paulo: “esquecendo das coisas que para traz ficam (as obras da carne), devemos prosseguir para o alvo: a soberana vocação em Cristo Jesus (viver de acordo com o Espírito)” (Fl 3.13-14 – adap.).

A liberdade cristã é limitada pelo amor, e este limite tem como consequência o viver o fruto do Espírito - verdadeira liberdade Cristã. A carne por sua vez, representa o egoísmo presente na essência do ser humano, que vai contra o fruto do Espírito e seus desdobramentos. A liberdade no mundo atual exclui e/ou divide (o seu bem independente do outro); a verdadeira liberdade cristã inclui amorosamente todos os seres humanos.

Com isso, a Igreja é desafiada a viver internamente uma liberdade que promova partilha, dignidade, comunhão... bem como denunciar além dos seus limites a liberdade contemporânea que marginaliza (deixa à margem) e oprime.

Que o próprio Deus, através do Espírito Santo, promova isso no nosso viver. Que estejamos abertos a entender do próprio Senhor qual o Seu desejo com relação a nossa união. Que estejamos prontos para viver o fruto do Espírito de forma completa, para daí, sermos uma comunidade que se preocupa com o seu próximo, com verdadeiro amor, vivendo em real liberdade, aquela que nos é proposta pelo nosso Senhor.

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 04/08/10 por e-mail.