Salmo 126

20/05/2010

 

1 Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, éramos como os que estão sonhando.
2 Então, a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cânticos. Então, se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor por eles.
3 Sim, grandes coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres.
4 Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe.
5 Os que semeiam em lágrimas, com cânticos de júbilo segarão.
6 Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos.

Os salmos de 120 até 134 são conhecidos como "cântico dos degraus" ou "cântico de romagem" (depende da tradução da Bíblia que você utilize). Todos tratam de vários assuntos da religiosidade, de forma rápida, para auxiliar na memorização, possivelmente. Seria uma espécie de "livro menor", "resumo", com os detalhes importantes, para que fossem facilmente lembrados. Ou ainda um "hinário", "cancioneiro", "livro com canções", pois entende-se que eram realmente cantados, principalmente quando o povo ia de caminho para Jerusalém, para o sacrifício ou festas. E durante a caminhada, continuavam "estudando" e meditando na Palavra através dessas porções. Também poderiam ser utilizados durante os afazeres diários, com a mesma disposição.

O salmo 126 está situado historicamente no período pós-exílico, na volta pra casa depois do cativeiro Babilônico. O início do salmo acaba "se datando", quando fala sobre a restauração da sorte, quando fala do que as nações diziam, pois foi assim mesmo: um povo levado cativo, uma terra destruída que é reconstruída com o aval de quem estava no comando. Era uma mudança completa de lado - de "caçado" para abençoado. Mas, a sequência do salmo pede pela restauração da sorte. Como pode ser isso? Pode ser que este foi um salmo profético, escrito antes do final do exílio, mas para confirmar a confiança de que um dia os israelitas iriam desfrutar dessa realidade.

Segundo livros e comentários de Bíblias, o Neguebe é a parte mais sul de Israel, quase chegando ao deserto do Sinai. Imagine para o viajante chegar perto de um lugar assim e encontrar torrentes de águas... Algo valioso, por isso a comparação: o povo queria ter uma importância maior. Se as torrentes eram importantes e desejadas, a nação que estava sendo restaurada deveria ser importante em seu meio, o mundo deveria olhar para ela com anseio, sabendo de sua importância, tal qual a água era importante ao viajante.

Muitas vezes já falamos que as dificuldades fazem parte da vida. Não tem ligação necessariamente com erros ou pecados, como aconteceu com Jó, por exemplo. Os seus amigos queriam encontrar a razão do sofrimento de Jó em algo que estivesse errado, quando o motivo era outro: era apenas para mostrar a fidelidade do servo e depois, a fidelidade do Senhor para com Jó. Logo, há situações "sem explicação", que passamos para dar testemunho do cuidado do Senhor tanto durante como na solução. Se notarmos no meio da angústia, já veremos o cuidado do Senhor. E quando nos dá a solução, claro, fica mais fácil de notarmos. No meio do exílio, pode ser difícil ver a mão do Senhor. No deserto, também! Mas mesmo assim, o maná e o cuidado do Senhor se revelam sempre. Assim, aprendemos que mesmo no meio da angústia precisamos saber notar o cuidado do Senhor e fazer todo o possível para não desanimar, antes confiar no cuidado e na solução da parte do Senhor.

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 20/05/10 por e-mail.