Esperar pelo fruto é melhor que acusar...

11/05/2010


Atos dos Apóstolos 9.26-30

26 Tendo Saulo chegado a Jerusalém, procurava juntar-se aos discípulos; mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.
27 Então, Barnabé, tomando-o consigo, o levou aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira o Senhor e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus.
28 Assim, andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo,
29 e pregando ousadamente em nome do Senhor. Falava e disputava também com os helenistas; mas procuravam matá-lo.
30 Os irmãos, porém, quando o souberam, acompanharam-no até Cesaréia e o enviaram a Tarso.


Mais uma vez, Saulo gera dúvidas sobre sua conversão. Isso comprova o quanto ele esteve empenhado em terminar definitivamente com a pregação do Evangelho. Muitos ainda pensavam que sua conversão era uma fraude, apenas uma tentativa de se aproximar mais e depois, fazer as prisões e perseguições. Era necessário que alguém desse testemunho de que se ele quisesse fazer isso, já podia ter feito antes. Que ele realmente teve uma experiência com o Senhor e que já estava inclusive pregando, podendo ele mesmo ser perseguido e preso agora por aqueles que continuavam fazendo o que ele, Saulo, deixou de fazer. Ele realmente passou de perseguidor para perseguido. Era preciso que ele mostrasse e que os outros confirmassem os seus frutos!

Hoje em dia, não com a possibilidade de perseguição, mas por existir um mercado que também consome no meio evangélico, muitas "conversões" são questionadas. Há quem duvide, reclame, fale contra muitos dos convertidos, principalmente famosos ou reconhecidos na mídia. Alguns acreditam que a "conversão" é falsa, apenas para conquistar o "mercado". E outros nem sabem de alguns convertidos que seguem em seus trabalhos normalmente, sem deixar a fé e sem fazer nada completamente contrário ao Evangelho, ainda que falem pouco dessa experiência, exatamente por medo de ser acusado injustamente de tentar levar vantagem desse "mercado".

Como nos dias de Saulo, acredito que muitas dessas conversões são genuínas. A pessoa não precisa deixar o meio artístico, mas tem que tomar cuidado com a atitude que toma, claro! Não pode fazer algo completamente contrário ao Evangelho como seu trabalho. Mas pode conciliar a sua conversão com o seu trabalho, tomando os devidos cuidados, que todos precisam tomar, talvez uns mais e outros menos, mas todos precisam. E nem sempre porque tem que tomar menos cuidado no trabalho que desempenha é mais fácil não cair...

Eu prefiro esperar. Pode ser uma conversão como a de Saulo, verdadeira, genuína. Então, que os frutos mostrem, como foi com Saulo. Outros falavam de sua forma de agir, ele mesmo tinha a chance de mostrar a verdade de sua conversão. Inclusive, em pouco tempo, havia quem acreditasse firmemente na conversão de Saulo, porque o texto fala novamente de quem quisesse matá-lo por conta disso. Logo, a sua conversão dava sinais de real comprometimento com as coisas do Senhor.

Assim, eu prefiro dar a chance da pessoa mostrar que se converteu. Os frutos vão mostrar. Se eu acusar desde o começo que a conversão é uma fraude, posso estar errado! Os frutos irão mostrar isso no dia a dia, no jeito de falar e de agir. A pessoa não precisa mudar radicalmente (como alguns pensam ser necessário) sua forma de falar e de vestir, a não ser que seja tudo muito escandaloso, claro. Mas quando a pessoa muda o que fala, quando causa impacto ao falar do Evangelho, dizendo o que realmente está na Bíblia (porque muitos causam impacto dizendo o que queriam que estivesse ou o que interpretam, mas que não está de fato na Bíblia), começa a mostrar frutos. E que como foi com Saulo, que possamos dar aos novos "convertidos" a chance de realmente mostrar os frutos dessa conversão. Que possamos reconhecer e não acusar simplesmente. Porque como foi com Saulo, novamente pode acontecer hoje e até mesmo alguém que fala completamente contra o Evangelho pode ter uma experiência com o Senhor e passar a falar do Senhor. E quem ganha com isso é a causa do Evangelho!

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 11/05/10 por e-mail.