Salmo 123

29/04/2010

 

1 A ti levanto os meus olhos, ó tu que estás entronizado nos céus.
2 Eis que assim como os olhos dos servos atentam para a mão do seu senhor, e os olhos da serva para a mão de sua senhora, assim os nossos olhos atentam para o Senhor, nosso Deus, até que ele se compadeça de nós.
3 Compadece-te de nós, ó Senhor, compadece-te de nós, pois estamos sobremodo fartos de desprezo.
4 A nossa alma está sobremodo farta da zombaria dos arrogantes e do desprezo dos soberbos.

Os salmos de 120 até 134 são conhecidos como "cântico dos degraus" ou "cântico de romagem" (depende da tradução da Bíblia que você utilize). Todos tratam de vários assuntos da religiosidade, de forma rápida, para auxiliar na memorização, possivelmente. Seria uma espécie de "livro menor", "resumo", com os detalhes importantes, para que fossem facilmente lembrados. Ou ainda um "hinário", "cancioneiro", "livro com canções", pois entende-se que eram realmente cantados, principalmente quando o povo ia de caminho para Jerusalém, para o sacrifício ou festas. E durante a caminhada, continuavam "estudando" e meditando na Palavra através dessas porções. Também poderiam ser utilizados durante os afazeres diários, com a mesma disposição.

No salmo 123, vemos o salmista falar de sua busca, elevando os olhos ao Senhor, que é Rei, entronizado no céu. Nessa busca, o salmista deixa claro que tem intimidade e comunhão com o Senhor, buscando o Seu querer e Sua vontade, tal qual um servo ou uma serva o faz para com seu senhor ou senhora. Temos respeito por autoridades humanas, mas muitas vezes negligenciamos esse respeito com relação ao Senhor e o salmista deixa claro que o seu respeito pelo Senhor, por saber o Seu desejo, é real. E mais que isso, como fazemos para com autoridades humanas, queremos atender ao desejo, claro! Logo, vamos em busca da realização da vontade do Senhor para nós!

Essa busca pelo Senhor é maior ainda porque o salmista se sente desprezado. Não pelo Senhor, mas por aqueles que o cercam. E muitas vezes, sofremos esse desprezo: pessoas não entendem o que passamos ou vivemos e, tal qual "amigos de Jó", tentam achar razões e motivos para o que vivemos em nós mesmos, nossas atitudes ou faltas. Mas tal qual aconteceu com Jó, nem sempre acontece algo assim. Nem sempre há erro ou pecado para enfrentarmos algo, mas o Senhor pode nos moldar, nos usar como vasos para testemunho, para entendermos a dor e ajudarmos outras pessoas...

Mas as vezes não somos desprezados por algo que estamos vivendo, mas também por injustiças. Alguém levanta um testemunho falso contra nós e muitos acreditam. Nem se preocupam em confirmar. Talvez porque confiem muito em quem falou. E passamos por momentos ruins e tristes, sem nem mesmo ter feito algo do que dizem a nosso respeito. Outras vezes, somos desprezados, mesmo vivendo o certo e quem vive o errado é cercado de cuidados, não para mudar, mas como se fosse a pessoa certa e nós, os errados. O ser humano tem a facilidade para aceitar o errado como certo, infelizmente. E atacar ou desprezar o certo. Assim, temos que fazer como o salmista: olhar para o Senhor e deixar que Ele mesmo toque os corações para que mudem! E mais ainda: buscar ao Senhor para que não façamos o mesmo! Em vez de ver o errado como certo, devemos denunciar o errado e ajudar na possibilidade de mudança! E em vez de desprezar o certo, temos que saber dar o devido crédito. E isso, só é possível com a direção do Senhor, pois de nós mesmo, corremos o sério risco de sempre fazer o contrário...

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 29/04/10 por e-mail.