Começa a perseguição

09/03/2010


Atos dos Apóstolos 8.1-3

1 Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samaria.
2 E uns homens piedosos sepultaram a Estêvão, e fizeram grande pranto sobre ele.
3 Saulo porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, os entregava à prisão.


Depois da morte de Estevão, as coisas pioraram muito! Antes disso, algumas prisões, advertências, até mesmo sinais milagrosos que mostravam a verdade da pregação, mas mesmo assim havia uma reprimenda. No entanto, o "parecer de Gamaliel" ainda estava valendo e havia, apesar das reprimendas e prisões, certa liberdade para anunciar a mensagem e realizar a obra.

Mas a partir do momento da morte de Estevão, as coisas pioram. Desata-se uma perseguição contra aqueles que estavam em Jerusalém, quase ao ponto de não poderem sepultar Estevão. Pelo menos, é o que o texto faz parecer, pois cita primeiro a perseguição e a dispersão de todos (menos dos apóstolos) para outras regiões e que alguns homens piedosos (possivelmente outros, não os apóstolos) sepultaram Estevão. A perseguição começa muito forte nesse momento, em Jerusalém, principalmente aos crentes conhecidos como "helênicos", que ampliavam a visão da mensagem, e que eram os responsáveis pelo trabalho de atender a mesa das viúvas (Atos 6.1-7) e ampliavam para além do judaísmo de forma definitiva a mensagem e o trabalho. Assim, essa perseguição era por conta, principalmente, da "nova postura" do "cristianismo", de atender além do judaísmo. Nós sabemos que essa não era uma postura nova, mas dentro da pregação no judaísmo (lembremos que os apóstolos eram judeus e iam ao Templo, inclusive tinham espaço para ensinar), parecia um novo momento no movimento e a perseguição começa.

Mais uma vez o texto cita Saulo, agora não apenas como quem consente na morte, mas como aquele que leva as pessoas para a prisão. Agora, ele comanda a perseguição. Assim, antes da experiência de conversão, Saulo primeiro consentiu na morte de Estevão e, em seguida, se tornou um perseguidor de fato do cristianismo, principalmente desse "ramo" tido como errado, que levava a mensagem e as atividades sociais para além dos limites do judaísmo. Ele acreditava que estava do "lado certo", pois parecia que o judaísmo estava sendo vivido de forma errada por aqueles e ele entendia que era necessário acabar com essa mensagem que falava de coisas do judaísmo, lembrava eventos da história judaica, falava de um Messias vindo dentro do judaísmo, mas que ia para fora das "fronteiras".

Muitas vezes vivemos assim, como Saulo. Assumimos posturas que parecem certas, parecem mesmo ter apoio social ou até religioso, mas que na verdade estão erradas. Perdemos o "tom" da história dado por Deus e começamos a interpretar como certo ou errado o que vemos, deixando de lado o que o próprio Deus mostra ou faz! E o pior: fazemos como se estivéssemos obedecendo a Ele! Quando fazemos isso, podemos ter argumentos de defesa e até podemos parecer certos do pronto de vista social e religioso. Mas estaremos errados, pois o que realmente importa é o ponto de vista de Deus. O que interpretamos, o que vivemos, ou o que fazemos, deve passar pelo crivo da vontade de Deus. Não basta parecer certo. Tem que ser vontade de Deus para nós, pois se não for, mesmo que seja algo certo (não era o caso de Saulo, mas pode acontecer), estará errado. Vivamos em busca da vontade do Senhor e não daquilo que mais nos acomoda e até parece certo. Que vivamos o melhor, o que é vontade de Deus em nossa vida!

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 09/03/10 por e-mail.