Somos chamados para respeitar a autoridade

17/02/2010

 

Daniel 6

1 Pareceu bem a Dario constituir sobre o reino cento e vinte sátrapas, que estivessem por todo o reino;
2 e sobre eles três presidentes, dos quais Daniel era um; a fim de que estes sátrapas lhes dessem conta e que o rei não sofresse dano.
3 Então, o mesmo Daniel sobrepujava a estes presidentes e aos sátrapas; porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava constituí-lo sobre todo o reino.
4 Nisso, os presidentes e os sátrapas procuravam achar ocasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar ocasião ou falta alguma; porque ele era fiel e não se achava nele nenhum erro nem falta.
5 Pelo que estes homens disseram: Nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, a menos que a procuremos no que diz respeito a lei do seu Deus.
6 Então, os presidentes e os sátrapas foram juntos ao rei e disseram-lhe assim: Ó rei Dario, vive para sempre.
7 Todos os presidentes do reino, os prefeitos e os sátrapas, os conselheiros e os governadores, concordaram em que o rei devia baixar um decreto e publicar o respectivo interdito, que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, exceto a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões.
8 Agora, pois, ó rei, estabelece o interdito, e assina o edital, para que não seja mudado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar.
9 Em virtude disto, o rei Dario assinou o edital e o interdito.
10 Quando Daniel soube que o edital estava assinado, entrou em sua casa, no seu quarto em cima, onde estavam abertas as janelas que davam para o lado de Jerusalém; e três vezes no dia se punha de joelhos e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer.
11 Então, aqueles homens foram juntos e acharam a Daniel orando e suplicando diante do seu Deus.
12 Depois, se foram à presença do rei e lhe perguntaram no tocante ao interdito real: Porventura não assinaste um interdito pelo qual todo homem que fizesse uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem por espaço de trinta dias, exceto a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o rei, e disse: Esta palavra é certa, conforme a lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar.
13 Então, responderam ao rei, dizendo-lhe: Esse Daniel, que é dos exilados de Judá, não tem feito caso de ti, ó rei, nem do interdito que assinaste; antes, três vezes por dia faz a sua oração.
14 Ouvindo, então, o rei a notícia, ficou muito penalizado e a favor de Daniel propôs dentro do seu coração livrá-lo; e até o pôr do sol trabalhou para o salvar.
15 Nisso, aqueles homens foram juntos ao rei, e lhe disseram: Sabe, ó rei, que é lei dos medos e persas que nenhum interdito ou decreto que o rei estabelecer, se pode mudar.
16 Então, o rei deu ordem, e trouxeram Daniel e o lançaram na cova dos leões. Ora, disse o rei a Daniel: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará.
17 E uma pedra foi trazida e posta sobre a boca da cova; e o rei a selou com o seu anel e com o anel dos seus grandes, para que no tocante a Daniel nada se mudasse.
18 Depois, o rei se dirigiu para o seu palácio e passou a noite em jejum; e não foram trazidos à sua presença instrumentos de música, e fugiu dele o sono.
19 Então, o rei se levantou ao romper do dia e foi com pressa à cova dos leões.
20 E, chegando-se à cova, chamou por Daniel com voz triste; e disse o rei a Daniel: Ó Daniel, servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?
21 Então, Daniel falou ao rei: Ó rei, vive para sempre.
22 O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, e eles não me fizeram mal algum; porque foi achada em mim inocência diante dele; e também diante de ti, ó rei, não tenho cometido delito algum.
23 Então, o rei muito se alegrou e mandou tirar a Daniel da cova. Assim, foi tirado Daniel da cova e não se achou nele lesão alguma, porque ele havia confiado em seu Deus.
24 E o rei deu ordem, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado Daniel, e foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos.
25 Então, o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada.
26 Com isto faço um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e permanece para sempre; e o seu reino nunca será destruído; o seu domínio durará até o fim.
27 Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; foi ele quem livrou Daniel do poder dos leões.
28 Este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario e no reinado de Ciro, o persa.


Muitos conhecem a história de Daniel. Até mesmo fora das salas de Escola Dominical essa história é  lembrada pelas pessoas. Talvez essa e a história de Davi com o Golias sejam as mais comentadas do Antigo Testamento, tanto dentro de nossas comunidades como fora delas.

Vemos que "armaram" para Daniel. Mexeram com o ego do rei, que favorecia Daniel, e "armaram" para que Daniel fosse encontrado em uma situação difícil. Essa "armação" está entre aspas, pois Daniel poderia ter recebido a notícia de que teria que apenas dirigir-se em oração ao rei pelo prazo de 30 dias e ter aceitado, quer por simples obediência, quer por não ser por "tanto tempo". Infelizmente, acredito que muitos, tanto em nossos dias como no passado, teriam essa atitude. Mas o texto nos mostra que aqueles que "armaram" queriam ter a chance de pegar Daniel em alguma coisa, logo eles sabiam, por ter consciência da forma de agir de Daniel, que ele não pensaria assim e que iria seguir com suas orações, como fazia normalmente. Afinal, eles queriam pegar Daniel e não apenas trazer algum desgosto a ele! E para pegar Daniel, ele teria que ser achado fazendo suas orações em desacordo com o que ficou estabelecido!

Sabemos o final dessa história. Daniel sabia também! Sabia que sua vida estava nas mãos de Deus e que ele poderia confiar, pois nada aconteceria com ele se não fosse por testemunho. Logo, mesmo que ele viesse a perecer na cova dos leões, haveria testemunho! Assim, ele confiou, depositou sua fé no Senhor, e sabia que o melhor iria acontecer. E assim o foi! Quem pereceu foi quem "armou" e ele foi guardado!

É claro que devemos obedecer aos governantes, ao que é estabelecido na lei, ao que define aqueles que estão em posição de autoridade, qualquer que seja essa posição. Mas guarde isso: nossa obediência não é cega! Quando esse governante ou essa lei, ou ainda qualquer pessoa em qualquer posição de autoridade, estabelece que devemos ir contra a vontade de Deus, ou matar, roubar, mentir, não devemos obedecer! Negar ao Senhor, de forma alguma! Mesmo que seja para ir para a cova dos leões e não sair de lá, a não ser para a eternidade! Como Daniel, que não foi tido por culpado diante de Deus por desobedecer a autoridade em uma lei absurda, não somos tidos por culpados se seguirmos o mesmo caminho: obediência sempre, desde que não seja para ir contra a vontade de Deus.

Devemos sempre obedecer autoridades e leis, mas quando os assuntos não atacam diretamente a vontade de Deus e nossa fé (não nossa vontade ou opinião). Quando é assim, como foi com Daniel, devemos desobedecer, mesmo que seja para sofrer as consequências desse ato. Quer seja para, como Daniel, sair da situação complicada, quer seja para, como os primeiros cristãos, enfrentarmos perseguição e morte. Nossa obediência a toda e qualquer autoridade, em todos os assuntos, deve ser completa, real e verdadeira, desde que não nos chame a ir contra a vontade de Deus, não chame a negar ao Senhor, a fazer algo que Ele desaprove. Em qualquer outra direção, vamos respeitar a autoridade! Mas quando essa autoridade nos chamar a ir contra a vontade do Senhor, devemos confiar no Senhor e fazer a vontade Dele, independente de qualquer outra circunstância. Essa é a única situação que devemos ir contra uma autoridade: quando essa autoridade nos chama a ir contra a vontade do Senhor. Assim, com a fé depositada no Senhor, respeitemos a autoridade e estejamos prontos a viver debaixo dessa autoridade, sem deixar de ter nossa confiança primeiro no Senhor, prontos a assumir qualquer risco, mesmo que físico, para ir contra essa autoridade, caso ela tente contra Deus. No mais, respeitemos a autoridade de quem está com essa responsabilidade!


Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 17/02/10 por e-mail.