O caracol descontente

29/05/2009

 

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O pequeno caracol dormia pertinho da sua mãe. O dia que estava amanhecendo e seria muito importante para ele.

Na noite anterior, a mãe havia dito que ele já estava bem crescido, que sua concha estava bastante forte, e que por isso, poderia abandonar a folha em que havia nascido e de onde nunca havia saído.

Ao surgirem os primeiros raios de sol, o caracol se levantou, escutou com impaciência os últimos conselhos da mãe e se despediu dela com um beijo.

Começou a subir pela folha de alface, buscando o caminho para chegar até o chão. Ele estava se sentindo muito feliz e orgulhoso.

Quando chegou na beirada da folha, abriu os olhos assombrado. Nunca havia pensado que o mundo fosse tão bonito! O sol, o vento morno da primavera, as plantas que cresciam à sua volta... E as flores? Como eram bonitas e alegres com as suas cores!

Então, seu espanto foi demais, quando viu se aproximar, voando, uma borboleta. Era uma pequena borboleta, recém saída do seu casulo. A borboleta, falou alegremente com ele, convidando-o para brincar: - Vamos! Vem comigo! Vamos brincar, caracol!

Nesse momento, o assombro e admiração do pequeno caracol se transformaram em tristeza. Percebeu que não poderia seguir a amiga em seu rápido vôo sobre as flores.

- Ah! Que pena! Minha concha é muito pesada... e... não tenho asas... nunca vou poder voar com você...

Com muita dor no coração, abaixou a cabeça e ficou muito triste. Aí então, viu outro inseto no chão, que lhe fazia sinais com as patas:

- Hei! Você aí, caracol! Quer brincar comigo? Era um besouro, que como ele, também estava saindo pela primeira vez de casa.

O caracol pensou: - Agora vai dar certo! Com ele eu poderei brincar! Mais que depressa, escorregou pela verde folha de alface abaixo. Quando chegou no chão, eles se cumprimentaram alegremente: - Vem, disse o besouro. Vou te levar ao rio.

E o besouro desapareceu por entre as folhagens antes que o caracol pudesse responder-lhe. O caracol tentou inutilmente alcançá-lo, mas o besouro corria muito depressa com as suas seis patinhas. O caracol percebeu que jamais o alcançaria: além de não ter patas, ainda tinha que arrastar sua pesada concha.

Duas grandes lágrimas correram dos seus olhos. A borboleta e o besouro se aproximaram para consolá-lo.

- O que aconteceu, amigo caracol? Porque está chorando assim?

Não posso brincar com ninguém porque não posso voar nem correr... Vivo preso nesta pesada concha, arrastando-a o tempo todo... O caracol estava falando a verdade. Seus amigos ficaram muito tristes: era mesmo muito difícil brincar com ele.

A tristeza era tanta, que até o sol se escondeu atrás de uma nuvem negra. O vento se tornou frio e umas gotas de chuva começaram a cair, diante da surpresa dos três amigos. Rapidinho eles estavam encharcados. Chovia pesadamente.

Pobre borboleta! Em vão tentou proteger-se com suas asas: elas estavam tão molhadas, grudadas, que nem a deixavam andar. Para não ser arrastada pela água, agarrou-se fortemente a seu amigo caracol. O caracol estava firme como uma rocha, completamente protegido por sua concha.

O besouro, foi correndo procurar um lugar para se esconder. Escorregou e caiu de costas na lama pegajosa... ficou preso e não conseguia se levantar.

- Socorro, gritava, agitando inutilmente as patas.

Por sorte logo a chuva parou. As nuvens se foram, o sol voltou a brilhar com todo seu esplendor.

Enquanto a borboleta abria e secava suas asas, o caracol foi ajudar o besouro. Empurrou-o com todas as suas forças, até livrá-lo do barro e colocá-lo de pé.

- Amigo caracol, como você é forte! Quisera eu ter a sua força. Minhas patas são muito rápidas, mas não me ajudaram no barro... fiquei atolado!

- E eu, disse a borboleta, como eu gostaria de ter uma casinha como a sua, para não me molhar nunca mais... Quase me afoguei e nem conseguia voas mais...

A partir desse dias, os três ficaram muito amigos. O pequeno caracol nunca ficou chateado por ser como era. Apesar de não ter asas para voar, nem patas para correr, percebeu que tinha muita força e sua concha servia de proteção para os perigos. Ele ficou muito alegre, vendo que era importante, tinha qualidades e com elas podia ajudar aos amigos.


Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 29/05/09 por e-mail.