Salmo 102 - terceira parte

12/03/2009

 

Arrependimento e esperança
Oração do aflito que, desfalecido, derrama
o seu queixume perante o Senhor

1 Ó Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.
2 Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia; inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.
3 Pois os meus dias se desvanecem como fumaça, e os meus ossos ardem como um tição.
4 O meu coração está ferido e seco como a erva, pelo que até me esqueço de comer o meu pão.
5 Por causa do meu doloroso gemer, os meus ossos se apegam à minha carne.
6 Sou semelhante ao pelicano no deserto; cheguei a ser como a coruja das ruínas.
7 Vigio, e tornei-me como um passarinho solitário no telhado.
8 Os meus inimigos me afrontam todo o dia; os que contra mim se enfurecem, me amaldiçoam.
9 Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lágrimas a minha bebida,
10 por causa da tua indignação e da tua ira; pois tu me levantaste e me arrojaste de ti.
11 Os meus dias são como a sombra que declina, e eu, como a erva, me vou secando.
12 Mas tu, Senhor, estás entronizado para sempre, e o teu nome será lembrado por todas as gerações.
13 Tu te levantarás e terás piedade de Sião; pois é o tempo de te compadeceres dela, sim, o tempo determinado já chegou.
14 Porque os teus servos têm prazer nas pedras dela, e se compadecem do seu pó.
15 As nações, pois, temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra, a tua glória;
16 quando o Senhor edificar a Sião, e na sua glória se manifestar,
17 atendendo à oração do desamparado, e não desprezando a sua súplica.
18 Escreva-se isto para a geração futura, para que um povo que está por vir louve ao Senhor.
19 Pois olhou do alto do seu santuário; dos céus olhou o Senhor para a terra,
20 para ouvir o gemido dos presos, para libertar os sentenciados à morte;
21 a fim de que seja anunciado em Sião o nome do Senhor, e o seu louvor em Jerusalém,
22 quando se congregarem os povos, e os reinos, para servirem ao Senhor.
23 Ele abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.
24 Eu clamo: Deus meu, não me leves no meio dos meus dias, tu, cujos anos alcançam todas as gerações.
25 Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos.
26 Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como um vestido, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.
27 Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.
28 Os filhos dos teus servos habitarão seguros, e a sua descendência ficará firmada diante de ti.

Nossa meditação sobre este salmo começou na semana passada:

- Primeira parte: 1-11 - Suplica do salmista (para ler, clique aqui);

- Segunda parte: 12-22 - A confiança na restauração que o Senhor fará (para ler, clique aqui);

E hoje:

- Terceira parte: 23-28 - Eternidade e Humanidade.

Sobre a Eternidade e Humanidade, podemos dizer que é a conclusão do salmo mesmo, não apenas por ser a parte final, mas porque vemos a preocupação do salmista (diante de sua suplica) confrontada com a certeza do cuidado divino. A inquietação existe na humanidade (no salmista, em mim e em você), mas a nossa certeza deve ser pelo cuidado do Senhor, por Sua manifestação e atuação.

Ainda que os dias da humanidade sejam abreviados, os dias do Senhor são eternos. Nossa força nada pode, se não for a força do Senhor. O salmista trabalha nesta conclusão com a limitação humana e a "ilimitação" de Deus.

A criação é uma expressão da vontade de Deus. Logo, o que acontece em nossos dias, se nossa vida está nas mãos Dele, será sempre a vontade do Senhor. Desde que não estejamos andando de acordo com a nossa vontade, mas de acordo com a vontade do Senhor. E aí, mesmo no meio da dificuldade, podemos confiar, pois o Senhor é eterno. Nossa limitação pode nos dar medo diante das angústias, mas o Senhor é eterno e ilimitado. Podemos confiar. Quando deixamos o Senhor guiar a nossa vida, as dificuldades são cuidadas por Ele. A dor pode existir, não estamos isentos dela, pela condição humana! Mas com o cuidado do Senhor podemos enfrentar e alcançar vitória. Não devemos confiar em nossa condição, nossa força, nossa inteligência, pois isso será nada se não for o cuidado do Senhor. Devemos, então, deixar Ele guiar e orientar essa força, inteligência e capacidade que temos, pois Ele nos deu, pode nos orientar a usar da melhor forma e mais: nos fortalecer onde a nossa força fraquejar. Nos dar a orientação quando nossa inteligência falhar. Vale a pena confiar e esperar no Senhor.


Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 12/03/09 por e-mail.