Somos chamados para ter graça

28/01/2009

 

Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e em todos eles havia abundante graça - Atos 4.33

Alguns acham que um pregador do Evangelho tem que ser manso, suportar qualquer problema ou contrariedade. Não acho que isso combine nem mesmo com Jesus! Não consigo imaginar Ele falando "raça de víboras" ou mesmo preparando um chicote e depois derrubando as mesas dos vendilhões do Templo como alguém manso, pelo menos nos padrões que se espera de muitos hoje em dia. Mas não deixou de ter graça! Não era uma ira infundada, havia motivos. Ainda assim, mesmo que com motivos, temos que tomar cuidado com a manifestação dessa ira, como agir, pois ainda que tenhamos razão, podemos perder a mesma dependendo da forma que agirmos. Não podemos perder a graça.

Ter graça é mostrar que Cristo realmente faz diferença. É mostrar o carinho, o amor, ainda que seja necessário ser duro. Não podemos só passar a mão na cabeça ou abraçar. Muitas vezes, ao educar um filho, podemos até mesmo agir de forma dura, mas nunca vai faltar o amor. Ser duro não é o mesmo que ser mal educado, bruto, exagerado! Há uma medida.

É fato que hoje em dia muitas vezes as pessoas falam a verdade, não exageram, e ainda assim há quem se levante para dizer que há erros. Nesse caso, o padrão que se espera está fora do padrão realmente bíblico! Quem precisa mudar não é quem age, mas quem avalia a atitude. Essa avaliação precisa mudar, à luz da Bíblia. Não podemos esperar pessoas que só abaixem a cabeça e sorriam o tempo todo! Temos que saber interpretar algumas atitudes, quando não forem exageradas, à luz da Bíblia e entendendo o carinho e o amor que estão sendo demonstrados, revelando a verdadeira graça, que não anula o erro, mas que recebe apesar dele e chama ao arrependimento.

A graça do Senhor precisa ser uma realidade em nossa forma de agir. Precisamos dar testemunho dela em cada atitude, em cada conversa, a cada dia. A graça que nos alcança antes de mudarmos de vida, pois Jesus morreu por nós quando ainda estávamos em pecado. A graça que não cobra por uma mudança, mas que dá através do Espírito Santo todas as possibilidades para tal. A graça que abraça, mesmo que ainda em pecado, e nos impulsiona a real mudança de vida.

Hoje em dia, falsos profetas se levantam todos os dias, acusando e denunciando qualquer pessoa, qualquer atitude, chamando os crentes a tomarem cuidado com determinadas pessoas. Mas o profeta verdadeiro não chama a atenção dos outros para tomarem cuidado com alguém. Chama a atenção da pessoa que está no erro para que ela mude! A função de acusador é de outro, do inimigo de nossas almas. Nós, ainda que alguém erre, temos que amar e ajudar essa pessoa, pois ela poderá se converter genuinamente e abandonar o erro. Se só acusarmos, podemos tirar a chance dessa pessoa se converter e se isso acontecer, podemos tirar a chance de Deus falar para outros através dessa pessoa, porque um dia ela foi tida como errada. Quanto mais quando alguém erra aos nossos olhos e não de acordo com o padrão Bíblico ou quando o contexto de uma atitude ou de uma palavra é retirado e fica parecendo outra coisa. Quantos acusadores atrapalham a manifestação de Deus através de pessoas, com a falsa ilusão que estão prestando um serviço ao denunciar um erro. O que devemos mesmo é falar "com a" pessoa e não "da" pessoa!

Graça, no texto, pode ser traduzido por carisma. Muitos hoje em dia entendem que alguém é carismático quando é animado, quando consegue convencer as pessoas, quando é popular. Mas ter carisma é ter a graça! É se mostrar agradável, mesmo que tenha que ser duro. É conseguir fazer o outro entender sua ideia, mesmo que ele não aceite. É impactar a vida da outra pessoa.

Que possamos demonstrar essa graça, esse carisma, ao anunciar o Senhor para as outras pessoas. Que dessa forma, possamos permitir que o Espírito Santo nos use não para acusar o erro do pecador, mas para acolher esse pecador, ajudando-o a sair do pecado. É isso que a graça representa para nós! Recebemos não porque merecemos, mas porque o Senhor nos amou primeiro! Ele nos recebeu, não porque fomos bonzinhos, mas por amor e por graça. Por que temos que agir sem essa graça ao anunciar o Evangelho ou ao viver esta vida? Essa graça precisa fazer diferença em nós para que faça diferença na vida das outras pessoas também!


Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 28/01/09 por e-mail.