Fazendo a vontade do Senhor

27/01/2009

 

Neemias 2.11-20

11 Cheguei, pois, a Jerusalém, e estive ali três dias.
12 Então, me levantei de noite, eu e uns poucos homens comigo; e não declarei a ninguém o que o meu Deus pusera no coração para fazer por Jerusalém. Não havia comigo animal algum, senão aquele que eu montava.
13 Assim, saí de noite pela porta do vale, até a fonte do dragão, e até a porta do monturo, e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam demolidos, e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo.
14 E passei adiante até a porta da fonte, e à piscina do rei; porém não havia lugar por onde pudesse passar o animal que eu montava.
15 Ainda de noite subi pelo ribeiro, e contemplei o muro; e virando, entrei pela porta do vale, e assim voltei.
16 E não souberam os magistrados aonde eu fora nem o que eu fazia; pois até então eu não havia declarado coisa alguma, nem aos judeus, nem aos sacerdotes, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos demais que faziam a obra.
17 Então, eu lhes disse: Bem vedes vós o triste estado em que estamos, como Jerusalém está assolada, e as suas portas queimadas a fogo; vinde, pois, e edifiquemos o muro de Jerusalém, para que não estejamos mais em opróbrio.
18 Então, lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, e bem assim as palavras que o rei me tinha dito. Eles disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a boa obra.
19 O que ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, zombaram de nós, desprezaram-nos e disseram: O que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?
20 Então, lhes respondi: O Deus do céu é que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos. Mas vós não tendes parte, nem direito, nem memorial em Jerusalém.



Ao chegar em Jerusalém, depois de ter a autorização do rei para tal viagem e para cumprir seu propósito, Neemias apenas ficou na cidade. Durante 3 dias esteve em Jerusalém. O texto não revela detalhes de sua estada durante esse período de 3 dias, mas uma coisa nos é informada: ele não contou para ninguém o que estava fazendo ali.

Algumas vezes é necessário o silêncio, saber falar dos planos na hora certa. Ele já sabia da autorização do rei, poderia apenas chegar e dizer o que tinha para ser feito. Mas nós não podemos esquecer que ele, Neemias, estava bem no reinado opressor: ele era o copeiro do rei, alguém de confiança. Talvez a estratégia de chegar, passar alguns dias com o povo que tinha ficado na terra destruída, talvez mostrar sua tristeza diante dessa situação, e sabe-se lá o que realmente ele fez durante esses 3 dias, sem antes falar do que tinha ido fazer, tenha sido acertada. Depois de passar aqueles 3 dias ali e sair para observar a situação, talvez fosse mais fácil ganhar a confiança do povo para realizar a obra. Poderia ser que se ele chegasse e fizesse a proposta de reconstrução, mais pessoas colocariam em descrédito o que era para ser feito. Não por rebeldia ao rei, mas por talvez parecer que o copeiro tinha ido ali para criar mais problemas, talvez para dar legitimidade para o rei terminar com a devastação da cidade.

Não há como saber exatamente porque ele teve essa atitude. O que sei é que ela foi importante, pois ele testemunhou sua tristeza e seu desejo de reconstruir a cidade. E testemunhou todo o cuidado de Deus, pois o rei tinha sido favorável a ele em seu desejo. O rei que poderia ter aquilo com um insulto ou até uma forma de desobediência, deu aval. Logo, era possível ver claramente que Deus estava naquele negócio!

Mas, como sempre, como em situações que acontecem em nossa vida, há quem duvide do que pode realmente ser feito. Nesse caso, houve quem duvidasse da autorização do rei. Era como se estivessem dizendo que Neemias mentia em seu testemunho sobre o cuidado de Deus e a autorização do rei. Só que Neemias não se deixou abalar por isso e a obra seguiu em frente. E quem era contrário, teria que assumir as consequências de seus atos.

Isso acontece muito conosco! Temos certeza do que deve ser feito, do que é, mas algumas pessoas não compartilham da mesma visão. Aí, ou tentam mostrar as falhas de nosso entendimento, ou tentam nos desanimar simplesmente, chegando a nos dar novas ideias sobre o que fazer ou até mesmo se levantam contra o que temos para fazer.

Temos algumas atitudes diante disso:

- podemos desanimar, talvez culpemos os outros por isso, mas não esqueça que a decisão era sua! Ainda que alguém tenha influenciado, você não poderá culpar outra pessoa por qualquer decisão, pois você poderia ou não ter feito. Claro que poderá explicar dando conta dessa influência, mas a culpa não é de quem influenciou você. É sua! Você poderia não ter feito. Seria o famoso: "explica, mas não justifica", que quer dizer que algo pode até ter uma explicação, uma razão, mas não torna justa a atitude. Há ma explicação para você ter agido de determinada forma, mas se você errou, o erro é seu, independente da influência, pois você poderia não ter feito;

- podemos seguir em frente e mostrar a certeza que temos do agir do Senhor. Se estamos fazendo algo em o Nome do Senhor, mesmo que situações ou pessoas tentem nos desanimar, temos que nos manter focados naquilo que temos para fazer. Ainda que "joguem pedras" e que elas "machuquem ou quebrem algo", siga em frente, fazendo a vontade do Senhor. A tristeza que você sentirá durante as situações que se mostram contrárias será recompensada com o cuidado do Senhor e com o chegar ao objetivo. Como Neemias, devemos seguir em frente, crendo no cuidado do Senhor. É preciso ter certeza que o Senhor quer aquilo, pois aí não seremos nós a fazer, mas será o Senhor agindo em nós e através de nós. Vale a pena, mesmo que venha dificuldades. Fazer a vontade do Senhor pode até nos levar ao choro em algumas situações, mas nos dará a paz no meio desse choro e ainda teremos a certeza da vitória. Deixar de fazer o querer do Senhor é correr o mesmo risco de enfrentar as dificuldades, mas sem sentir essa paz e o cuidado do Senhor durante a situação e não teremos a certeza da vitória. Quer dizer: temos que saber a vontade do Senhor e permanecer nela, independente das dificuldades, pois chegaremos onde o Senhor quer e veremos a vitória do Senhor no tempo certo.

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 27/01/09 por e-mail.