Somos chamados para amar

07/01/2009

 

Leia 1 Coríntios 13

Muitos textos, muitas histórias, muitos testemunhos que encontramos na Bíblia mostram com profundidade a realidade do amor. Que devemos viver em amor. Não vou, neste espaço, escrever sobre o que é o amor. Apenas que somos chamados para amar. Que temos exemplos de sobra na Bíblia para nos deixar claro: devemos viver esse amor. Mostrar a cada atitude. Isso não quer dizer apenas concordar ou passar a mão na cabeça. Quando um pai disciplina um filho está demonstrando amor (desde que saiba como disciplinar, claro). Não sou do tipo que acha que não se deve dizer "não". Conheci pessoas que achavam isso, que se um filho ouve um "não" do seu pai ou da sua mãe, vai gostar menos e coisas assim. Claro que há quem cometa exageros e aí, não pode ser chamado de amor. Mas amar não é apenas concordar, passar a mão na cabeça: é alertar do erro, mas deixar a pessoa viver a sua própria vida, se ela tiver capacidade para tal. É não concordar com uma atitude errada de uma pessoa, deixar isso claro, mas ainda assim estar ao lado dela, não para justificar seus erros, mas para ajudá-la a superá-los.

Já meditei muitas vezes sobre o texto proposto nesta meditação. Talvez seja um dos textos mais lembrados quando falamos de amor. Talvez João 3.16 siga perto, um pouco na frente ou atrás. Mas o texto de Coríntios é sempre lembrado quando falamos de amor. Já tive a oportunidade de pregar mais de uma vez, escrever outras tantas sobre esse texto. E ainda assim, a cada nova parada que dou para meditar nesse texto, algo salta aos olhos. Como normalmente é com a meditação séria e profunda da Bíblia como um todo.

Poderia escrever muitas dessas meditações. Mas prefiro deixar você com as suas. Acredito que apenas a proposta do título desta mensagem já nos diz muita coisa para o dia de hoje: somos chamados para amar.

Muitos se preocupam com o fazer, com as atitudes corretas, com atividades. Mas hoje pense em amar. Amar o pecador. Receber essa pessoa na igreja. Isso mesmo! Como você espera que o pecador mude de vida se ele não se sentir acolhido? Pode ser que não mude nem assim e há casos em que a pessoa muda antes de se aproximar da comunidade. Mas eu, pessoalmente, já dirigi um estudo bíblico na igreja onde algumas pessoas estavam presentes (acho que nunca tinha acontecido de ir tão poucas pessoas como naquele dia) e um ex-presidiário entrou. Até ali, não o conhecíamos. O estudo seguiu normalmente, as pessoas participando, inclusive aquele "estranho". No final, ele mostrou o que ele poderia ter feito naquela noite ali na igreja: abriu uma mochila que estava cheia de armas. Se de verdade ou não, se carregadas ou não, ninguém sabe, apenas ele e o Senhor. Mas ele deixou claro que a sua participação naquela noite tinha um outro possível objetivo: um roubo ou a tentativa de um. Mas não fez nada nem comigo, nem com as senhoras que estavam naquela noite no estudo Bíblico. Porque ele se sentiu bem no nosso meio e entendeu que aquele ato não era para ser praticado ali. Ele nunca mais voltou, disse que morava em outra cidade e que queria fazer um roubo para tentar voltar, porque a sua ficha de criminoso não dava muitas oportunidades para ele. Talvez tenha voltado com nossa ajuda, não sei. O que sei é que algo fez aquele homem não realizar naquela noite algo mais sério: sabemos que o Espírito Santo estava ali e o envolveu com amor, sem contar que nos motivou a acolher da melhor forma aquele desconhecido, a ponto dele se sentir bem e não querer fazer mais o que pensava antes.

Talvez o meu exemplo acima não seja o melhor. Afinal, nós nem sabíamos quem era aquele homem, por isso foi fácil recebê-lo, não é mesmo? Pois eu quero deixar claro: a Bíblia nos chama para amar, independente do que sabemos ou não. Agora, se sabemos que a pessoa precisa de ajuda, torna-se maior nossa responsabilidade em amar aquela pessoa, dar a mão para que ela possa ter a chance de mudar o caminho errado. Muitos apenas não querem aquelas pessoas que estão "em pecado" no meio da comunidade. Mas se essas pessoas não estiverem ali para mudar de vida, onde será? No bar? No local onde ela comete mais pecados? Onde será? Sei que nem todos mudarão de vida indo na igreja, e que há casos em que as pessoas se convertem nos lugares mais loucos imagináveis para tal evento. Mas sei também que será muito mais fácil a pessoa se converter e começar a mudar de vida dentro da comunidade de fé. Pena que hoje em dia muitos não sentem vontade de se aproximar e quando o fazem, se sentem mal...

Jesus atraia prostitutas, pecadores e todo tipo de gente. Eles não sentiam medo de se aproximar de Jesus. E muitos mudaram de vida depois desse encontro. É assim que deve ser conoso também, afinal Jesus deixou claro que nós faríamos coisas ainda maiores que as que Ele fez, porque Ele ia para o Pai (João 14.12). Mas hoje em dia, muitos se afastam de nós ou da igreja, são mal recebidos ou nós mesmos nos afastamos. Tem algo estranho com o amor...

Muitos tomam posse de bênçãos a mais variadas, quer as que realmente estão na Palavra ou algo realmente prometido pelo Senhor, ou aquelas que são apenas a vontade própria da pessoa. Mas poucos tomam posse dessa bênção que Jesus declarou para Seus seguidores: que faríamos coisas ainda maiores. A primeira coisa que ouço é que Ele era diferente, era Jesus... Mas esse mesmo Jesus disse que eu faria coisas ainda maiores! E eu quero ver isso em minha vida! Cegos vendo, paralíticos andando, pecadores se convertendo! Mas... para os outros milagres, a fé, a cura, podem fazer. Só que para ver pecador se convertendo, saindo mesmo da lama, da sujeira, talvez tendo que "tomar banho" dentro da igreja, quer dizer, chegar com a "sujeira" e ainda assim ser bem recebido, exige amor!

Somos chamados para amar. Viva isso!


Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

 

Esta meditação foi enviada em 07/01/09 por e-mail.