Oração e confissão

23/12/2008

 

Esdras 9

1 Ora, logo que essas coisas foram terminadas, vieram ter comigo os príncipes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas, não se têm separado dos povos destas terras, das abominações dos cananeus, dos heteus, dos perizeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus;
2 pois tomaram das suas filhas para si e para seus filhos; de maneira que a raça santa se tem misturado com os povos de outras terras; e até os oficiais e magistrados foram os primeiros nesta transgressão.
3 Ouvindo eu isto, rasguei a minha túnica e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e me sentei atônito.
4 Então, se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel por causa da transgressão dos do cativeiro; porém eu permaneci sentado atônito até a oblação da tarde.
5 Na hora da oblação da tarde, levantei-me da minha humilhação, e com a túnica e o manto rasgados, pus-me de joelhos, estendi as mãos ao Senhor, meu Deus,
6 e disse: Ó meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar o meu rosto a ti, meu Deus; porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até o céu.
7 Desde os dias de nossos pais até o dia de hoje, temos estado em grande culpa, e por causa das nossas iniquidades fomos entregues, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, à rapina e à confusão do rosto, como hoje se vê.
8 Agora, por um pequeno momento se manifestou a graça da parte do Senhor, nosso Deus, para nos deixar um restante que escape, e para nos dar estabilidade no seu santo lugar, a fim de que o nosso Deus nos alumie os olhos, e nos dê um pouco de refrigério em nossa escravidão;
9 pois somos escravos; contudo, o nosso Deus não nos abandonou em nossa escravidão, mas estendeu sobre nós a sua benevolência perante os reis da Pérsia, para nos dar a vida, a fim de levantarmos a casa do nosso Deus e repararmos as suas assolações, e para nos dar um abrigo em Judá e em Jerusalém.
10 Agora, ó nosso Deus, que diremos depois disto? Pois temos deixado os teus mandamentos,
11 os quais ordenaste por intermédio de teus servos, os profetas, dizendo: A terra em que estais entrando para a possuir, é uma terra imunda pelas imundícias dos povos das terras, pelas abominações com que, na sua corrupção, a encheram duma extremidade à outra.
12 Por isso não deis vossas filhas a seus filhos, e não tomeis suas filhas para vossos filhos, nem procureis jamais a sua paz ou a sua prosperidade; para que sejais fortes e comais o bem da terra, e a deixeis por herança a vossos filhos para sempre.
13 E depois de tudo o que nos tem sucedido por causa das nossas más obras, e da nossa grande culpa, ainda assim tu, ó nosso Deus, nos tens castigado menos do que merecem as nossas iniquidades, e ainda nos deixaste este remanescente.
14 Tornaremos, pois, agora a violar os teus mandamentos, e a aparentar-nos com os povos que cometem estas abominações? Não estarias tu indignado contra nós até de todo nos consumires, de modo que não ficasse restante, nem quem escapasse?
15 Ó Senhor, Deus de Israel, justo és, pois ficamos qual um restante que escapou, como hoje se vê. Eis que estamos diante de ti em nossa culpa; e, por causa disto, ninguém há que possa subsistir na tua presença.



Todas as coisas pareciam em ordem. Voltaram em paz para casa, estavam acertando as cosntruções e reorganizando a terra como nação. Momento de alegria, celebração e dedicação. Era tempo de consagrar!

Exatamente nesse momento, em que as coisas pareciam em ordem, algumas pessoas importantes procuram Esdras e contam um grave problema. O povo, desde os mais instruídos até os mais simples, desde os que ocupavam posição de destaque e liderança (e que deveriam dar exemplo) até os que seguiam os exemplos dados, tinham feito algo contrário ao que o Senhor tinha ordenado. Quando eles entraram na terra saindo do Egito, a ordem foi não misturar com os outros povos! Depois de tantos erros e do exílio, ainda assim havia quem estivesse fazendo algo contrário ao que foi orientado pelo Senhor.

Esdras nos mostra o quanto alguém pode se chatear com uma situação. Rasgou vestes, arrancou cabelos e barba, e ainda por cima ficou atônito por algum tempo. Muitos acham que situações assim mostram falta de fé. Mas não é o que vemos em Esdras. Ele ficou arrasado e não fez questão de esconder isso. Não por falta de fé, mas por tristeza mesmo. Uma chateação muito grande. Não há problemas em demonstrar isso em nossa atitude quando algo está ruim!

Acontece que Esdras não ficou nessa até que alguma coisa mudasse. E essa deve ser nossa postura também. Esdras, depois que "curtiu" aquela chateação, pensou nas coisas, reviu algo, depois disso ele se levanta de sua humilhação e se apresenta diante do Senhor em oração, de joelhos. Esdras não esperou que algo acontecesse para mudar a situação. Ele tomou uma atitude. Muitas vezes, há quem ache que não devemos demonstrar essa chateação, pois parece falta de fé. Esdras mostra que não é assim! A chateação pode ser demonstrada, mas não devemos simplesmente esperar que a situação que causou a chateação mude por conta própria. A não ser, é claro, que o Senhor nos revele para esperarmos. Mas se não for assim, devemos nos levantar de nossa chateação e tomar uma atitude! Esdras, foi orar. Essa foi a atitude que ele tomou, deixando claro que tinha fé, mas que, como ser humano, se chateou com a situação. Não esperou mudança, mas buscou por ela. Talvez uma grande depressão pudesse se abater sobre Esdras nesse momento. Ainda assim, ele lutou contra, com a arma que ele tinha disponível: a fé. Podemos até caminhar para processos de depressão que demantem atenção médica. Mas há muitos processos que podem ser estancados se tivermos fé e buscarmos ao Senhor. Não quer dizer que se alguém caiu em depressão e teve que buscar ajuda médica não teve fé! Existem processos que são muito sérios e que atacam o físico da pessoa de forma a ser necessário tratamento. Sei que Deus pode curar esses também de forma sobrenatural, mas temos a capacidade médica que pode ajudar. Capacidade esta dada pelo próprio Deus, não podemos esquecer. Afinal, se fomos feitos à imagem e semelhança do Senhor, temos inteligência dada por Ele...

Esdras se apresenta em oração, não apenas dizendo "este povo", ou "os outros", mas se inclui na condição do povo. Talvez ele não estivesse na categoria dos que cometeram aquele erro. Ainda assim, ele não foge de sua condição de pecador porque os outros cometeram outros pecados. Ele se apresenta ao Senhor como intercessor, carregando com ele mesmo as crises e dores do povo diante da desobediência. Sabe que o Senhor tinha motivos para trazer para o povo qualquer dificuldade, pois seria cumprir a Sua palavra. O Senhor sempre deixou claro para o povo que se seguissem Sua vontade, viveriam bênçãos, mas que se deixassem a vontade Dele, enfrentariam alguns problemas. Esdras constata que o Senhor foi misericordioso a ponto de nem mesmo derramar sobre o povo tudo o que poderia diante das desobediências. Mas reconhece que todos estão em condição de pecadores. Reconhece a misericórdia, o cuidado, mas sabe que o povo, diante do erro, ainda poderia sofrer mais. Com sua oração de confissão, Esdras busca no Senhor a misericórdia para o ajuste, sem a pensalização por conta do erro, mas sabe que se o Senhor penalizar, estará agindo conforme declarou anteriormente que faria. Mas Esdras confia na misericórdia do Senhor e busca a Sua presença para tentar o acerto. Ele nos ensina que a posição do intercessor vai além de apenas orar por alguém, mas se colocar na posição da pessoa e clamar pelo Senhor pelo cuidado. Não apenas orar pela pessoa, mas se incluir naquela posição, mesmo que não seja exatamente a sua. Carregar e ajudar a carregar as cargas para apresentar diante do Senhor. E crer que Ele fará sempre o melhor.

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 23/12/08 por e-mail.