Templo de confirmação! Tempo de instrução.

11/11/2008

 

Esdras 7

1 Ora, depois destas coisas, no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras, filho de Seraías, filho de Azarias, filho de Hilquias,
2 filho de Salum, filho de Zadoque, filho de Aitube,
3 filho de Amarias, filho de Azarias, filho de Meraiote,
4 filho de Zeraías, filho de Uzi, filho de Buqui,
5 filho de Abisua, filho de Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sumo sacerdote,
6 este Esdras subiu de Babilônia. E ele era escriba hábil na lei de Moisés, que o Senhor, Deus de Israel, tinha dado; e segundo a mão do Senhor, seu Deus, que estava sobre ele, o rei lhe deu tudo quanto lhe pedira.
7 Também subiram a Jerusalém alguns dos filhos de Israel, dos sacerdotes, dos levitas, dos cantores, dos porteiros e dos netinins, no sétimo ano do rei Artaxerxes.
8 No quinto mês, Esdras chegou a Jerusalém, no sétimo ano deste rei.
9 Pois no primeiro dia do primeiro mês ele partiu de Babilônia e no primeiro dia do quinto mês chegou a Jerusalém, graças à mão benéfica do seu Deus sobre ele.
10 Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar e cumprir a lei do Senhor, e para ensinar em Israel os seus estatutos e as suas ordenanças.
11 Esta é, pois, a cópia da carta que o rei Artaxerxes deu a Esdras, o sacerdote, o escriba instruído nas palavras dos mandamentos do Senhor e dos seus estatutos para Israel:
12 Artaxerxes, rei dos reis, ao sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus do céu: Saudações.
13 Por mim se decreta que no meu reino todo aquele do povo de Israel, e dos seus sacerdotes e levitas, que quiser ir a Jerusalém, vá contigo.
14 Porquanto és enviado da parte do rei e dos seus sete conselheiros para indagares a respeito de Judá e de Jerusalém, conforme a lei do teu Deus, a qual está na tua mão;
15 e para levares a prata e o ouro que o rei e os seus conselheiros voluntariamente deram ao Deus de Israel cuja habitação está em Jerusalém,
16 com toda a prata e o ouro que achares em toda a província de Babilônia, e com as ofertas voluntárias do povo e dos sacerdotes, que voluntariamente as oferecerem para a casa do seu Deus, que está em Jerusalém.
17 Portanto, com toda a diligência comprarás com este dinheiro novilhos, carneiros, e cordeiros, com as suas ofertas de manjares e as suas ofertas de libações, e os oferecerás sobre o altar da casa do vosso Deus, que está em Jerusalém.
18 Também o que a ti e a teus irmãos parecer bem fazerdes do resto da prata e do ouro, o fareis conforme a vontade do vosso Deus.
19 Os vasos que te foram dados para o serviço da casa do teu Deus, entrega-os todos perante ele, o Deus de Jerusalém.
20 E tudo o mais que for necessário para a casa do teu Deus, e que te convenha dar, o darás da casa dos tesouros do rei.
21 E eu, o rei Artaxerxes, decreto a todos os tesoureiros que estão na província dalém do Rio, que tudo quanto vos exigir o sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus do céu, prontamente se lhe conceda,
22 até cem talentos de prata, cem coros de trigo, cem batos de vinho, cem batos de azeite, e sal à vontade.
23 Tudo quanto for ordenado pelo Deus do céu, isso precisamente se faça para a casa do Deus do céu; pois, por que haveria ira sobre o reino do rei e de seus filhos?
24 Também vos notificamos acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, netinins, e outros servos desta casa de Deus, que não será lícito exigir-lhes nem tributo, nem imposto, nem pedágio.
25 E tu, Esdras, conforme a sabedoria do teu Deus, que possuis, constitui magistrados e juízes, que julguem todo o povo que está na província dalém do Rio, isto é, todos os que conhecem as leis do teu Deus; e ensina-as ao que não as conhece.
26 E todo aquele que não observar a lei do teu Deus e a lei do rei, com zelo se lhe execute a justiça: quer seja morte, quer desterro, quer confiscação de bens, quer prisão.
27 Bendito seja o Senhor, Deus de nossos pais, que pôs no coração do rei este desejo de ornar a casa do Senhor, que está em Jerusalém;
28 e que estendeu sobre mim a sua benevolência perante o rei e os seus conselheiros e perante todos os príncipes poderosos do rei. Assim, encorajado pela mão do Senhor, meu Deus, que estava sobre mim, ajuntei dentre Israel alguns dos homens principais para subirem comigo.



Pessoalmente, estou gostando muito de comentar o texto de Esdras dessa forma, a mesma que fizemos com o Apocalipse há algum tempo. Tem sido instrutivo reler um texto tão conhecido por mim, rever pontos da história que são importantes para o renascimento da nação Jucaica depois do Exílio. Já estávamos escrevendo sobre Esdras e Neemias há algum tempo, com textos alternados, escolhidos, mas há alguns dias começamos a seguir o texto em suas subdivisões tais quais vemos em nossa língua (normalmente nas terças-feiras e você pode reler os textos enviados anteriormente no Compartilhando Na Web). Como fiz com o Apocalipse mesmo.

No texto de hoje, vemos o rei preocupado em fazer o melhor para a construção da Casa do Senhor, que está em Jerusalém. Essa casa que foi destruída quando do exílio, seus pertences saqueados e levados para a Babilônia e que, quando o povo conseguiu autorização para fazer a obra, ainda houve quem tentasse parar. Mas o Senhor usou o próprio rei para dar continuidade ao trabalho.

É muito bom notar que um rei que, teoricamente, só ouviu falar do Senhor, demonstre tanto carinho e zelo por essa Casa. É toque de Deus mesmo. O Senhor tocou os corações e Esdras foi escolhido para liderar esse povo no aspecto espiritual. Esse é o primeiro ponto que destaco: era necessário que um líder espiritual fosse levantado e o povo pudesse ouvir. Sabe por que? Porque o exílio tinha acontecido por desobediência aos preceitos da lei. E, como naqueles dias essa era a aliança (hoje temos a Graça), era necessário obedecer os preceitos da lei. Mas para obedecer, era necessário conhecer e o rei reconhece em Esdras aquele que poderia instruir o povo na lei. Se essa instrução não acontecesse, corria-se o risco de mais uma vez o povo deixar de lado as coisas da lei, ainda que em algum aspecto, e sofrer consequêcias por isso.

Vale ressaltar: o povo ficou no exílio o número de anos necessários para que a terra tivesse o descanso que era previsto na lei, o sétimo ano. O povo deixou de cumprir isso, talvez porque não via mal em deixar de lado, talvez porque achava que iam ficar sem alimento, ou sabe-se qual foi o motivo do descumprimento desse aspecto da lei. Mas isso levou o povo ao exílio e a terra descansou o número de anos que o povo ficou fora, o mesmo número de anos que o povo descuidou desde que descumpriu a lei até o tempo do exílio.

Então, era necessária uma nova instrução. O povo já tinha deixado de lado a instrução anterior e desobedecido, sofrendo as consequências do ato. Agora, tantos anos longe do Templo e da observação mais cuidadosa da lei, poderia acontecer de se deixar de lado mais aspectos dessa lei (veremos, em outro dia, que até mesmo na questão do casamento houve necessidade de ajuste! Isso mostra que em atitudes do dia-a-dia ou aquelas que acontecem de vez em quando também poderia ser necessário o ajuste). Afinal, longe do Templo e vivendo menos rigorosamente as instruções, e ainda por cima recebendo influência direta de outros povos, os judeus poderiam fazer algo que não estava exatamente na lei, mas que pareceria correto diante das experiências que eles tinham vivido e visto com outros povos ao longo dos anos. Era necessário "reprogramar" o conhecimento da lei para não errar novamente, quer por desconhecimento, quer por erro deliberadamente consciente ou ainda por conta de confusão diante da influência de outros povos. O rei sabia dessa possibilidade e destaca Esdras para o trabalho de "reconstrução" espiritual do povo, além, é claro, de ter todas as coisas antigas do Templo (já ungidas para o trabalho no Templo - Nabucodonosor passou por um período de loucura por se achar mais importante que Deus, mas o filho dele perde o trono depois de usar indevidamente os utensílios ungidos do Templo), outras ajudas destacadas para a obra e toda liberdade de ação e de movimentação para tal intento. O Senhor preparou todas as coisas.

Era hora de voltar para casa. E voltar em grande estilo: com as coisas que foram saqueadas (então, devolvidas), com novos suprimentos, total liberdade para o trabalho (quer no local, quer se houvesse necessidade de deslocamento) e ainda com alguém liderando o povo para a reconstrução espiritual. Neemias seria o líder político, mas sobre ele vamos escrever mais depois. Estava confirmado sobre o povo a ordem da volta. Agora, era só realizar a obra e aprender com Esdras sobre a lei. E, claro, abandonar toda e qualquer prática errada, observando o certo.

Mais um registro: o texto se preocupa em deixar claro qual era o Esdras que faria o trabalho. Podemos imaginar muitas coisas - havia alguém com mesmo nome que queria fazer a obra, ou o texto foi escrito anos depois e alguns "Esdras" poderiam levar a fama... Não sei qual poderia ser o motivo. O que sei é que o texto deixa claro, para as linhagens de Israel, claro, de que Esdras está falando. Muitas vezes isso é realmente necessário, para deixar claro quem é responsável pelo trabalho, para que outros não tentem levar a fama ou até mesmo tomar a posição. Mas o que não podemos deixar de notar no texto é o cuidado do Senhor, nos mínimos detalhes, para a volta e reconstrução, tanto do Templo físico, com os utensílios, com outras provisões, e a reconstrução espiritual, mostrando que as duas precisam andar de mãos dadas. Pessoalmente, entendo que temos que dar mais ênfase na espiritual, mas é claro que isso não pode ser motivo para deixar de lado a física. As duas devem andar juntas, claro, mas se for necessário optar por um tempo, que se escolha a espiritual. Pois de nada adianta lindos templos sem a unção do Senhor. O ideal é ter os dois e devemos caminhar para isso. Mas se for necessário dar mais atenção a uma delas durante um tempo, é a espiritual que deve ser levada em conta. E quando for cuidar da física, não podemos descuidar da espiritual, claro! Podemos até por um tempo deixar de lado a física, mas mesmo que retomemos o cuidado com esta, a espiritual não pode ser descuidada em nenhum momento. A cada dia o Senhor quer nos dar mais entendimento e nos ajudar a crescer no conhecimento de Sua vontade. Deixemos Ele nos falar o melhor. Nosso coração pode (não quer dizer que vai, mas que pode) nos enganar, se não deixarmos o Senhor falar. Que a cada dia possamos crescer em conhecimento, edificando o templo espiritual que somos e, claro, não deixemos de cuidar do físico enquanto estamos por aqui.

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 11/11/08 por e-mail.