Dia das Bruxas?! Reforma Protestante!

31/10/2008

 

O artigo que reproduzo abaixo foi publicado na internet há um ano. O autor está achando incrível como evangélicos da América do Norte comemoram e falam mais do dia das Bruxas em 31 de outubro e acabam se esquecendo do dia da Reforma Protestante.

Pessoalmente, entendo a questão cultural que há nos EUA para essa comemoração. Não concordo! Vejo como algo ruim. Mas sei que há uma questão cultural. Como, por exemplo, no Brasil há muita questão cultural interessante na Capoeira, mas acho que a mesma não pode ser praticada por cristãos, pois há alguns ritos que sugerem ritos de iniciação religiosa. Ainda que se defenda que não tem ligação com religiosidade, há alguns ritos que caminham na direção do que define uma religião. Até mesmo o São Paulo Futebol Clube corre o risco de em mais alguns anos ter problemas com isso, pois hoje está propondo batismos para os filhos dos torcedores. É o batismo religioso, mas com o passar dos anos poderá se tornar um rito de iniciação e eu temo por essa realidade. Espero que não chegue a isso!

A minha crise sobre o dia das Bruxas vai mais longe que a do pastor do texto abaixo: no Brasil, há 17 anos se falava nas escolas sobre a Reforma Protestante. Cito essa data porque eu estava por lá. Não sei por quanto tempo se falou disso ainda, pois muitas pessoas desconhecem que 31 de Outubro de 1517 é o dia da Reforma Protestante. Mesmo dentro de Igrejas genuinamente protestantes! Afinal, há igrejas que não são descendentes diretas da reforma, mas são descendentes do seu pensamento, claro.

Sei que alguns exageram no significado da Reforma, mas há outros que nem sabem da mesma! E acho que os dois extremos são ruins. É triste andar por lojas de departamentos e ver que a comemoração do dia das Bruxas que não tem nenhuma raiz cultural no Brasil é incentivada com produtos. Se ainda houvesse uma raiz cultural, como nos EUA... Insisto: sei da raiz cultural de lá, mas não concordo com essa comemoração. Mas, pelo menos, eles encontram justificativas culturais para a comemoração, pelo que já me disseram... E no Brasil? Nem crentes, descendentes diretos da Reforma ou do pensamento da mesma, sabem da comemoração do dia de hoje, mas querem defender a comemoração do dia das Bruxas. Jogam fora a cultura protestante em nome de uma comemoração pagã e até defendem dizendo que o Natal surgiu assim... O que se esquecem é que o Natal, uma comemoração pagã na origem, foi considerada cristã porque o Imperador Constantino que teria se convertido ao cristianismo declarou que o deus falso que ele adorava naquele dia (25/12 - o Sol Invictus) deveria ser na verdade Jesus. E o dia das Bruxas faz o caminho inverso: tira uma data importante do meio evangélico e protestante para uma festa pagã. Logo, sem comparação...

Segue abaixo o texto que encontrei na internet. Como escrevi acima, é do ano passado (31/10/2007) e, portanto, hoje comemoramos 491 anos da Reforma Protestante:



Extraído: Igreja Presbiteriana do Cruzeiro
por Rev. Marcio Bergamo de Araújo



Hoje é 31 de Outubro, e, ao contrário de comemorarmos o "dia das bruxas" (como muitos fazem, e incrivelmente cristãos espalhados pela América do Norte se lembrem mais dessa data) nós celebramos os 490 anos de Reforma Protestante!

Até o início do século XVI, a Igreja conseguiu manter-se unida, utilizando seu enorme poder econômico e político para vencer os líderes religiosos que tentavam reformá-la. Contudo, em 1517, um monge chamado Martinho Lutero ousou discordar profundamente da doutrina católica e, em vez de ser queimado vivo como John Huss e outros, conseguiu provocar a maior ruptura já ocorrida no interior da Igreja. Este movimento iniciado por Lutero ficou conhecido como Reforma Protestante.

No início do século XVI, a Igreja atravessava uma de suas piores crises, principalmente por causa da corrupção, da falta de instrução e da libertinagem em que o clero estava mergulhado. O clero era formado, em sua maioria, por indivíduos ricos (que compravam cargos, como os de bispo ou arcebispo) ou por padres quase sem nenhuma instrução, que abraçavam o ofício apenas para escapar dos impostos cobrados da população. O alto clero, a começar pelo papa, explorava a crendice popular praticando a simonia, ou seja, o comércio de artigos religiosos. Entre os produtos comercializados encontravam-se tíbias do jumento montado por Jesus quando entrou em Jerusalém, pedaços do manto da Virgem Maria, frascos contendo ar da gruta de Belém e uma série de outras relíquias falsificadas.

A grande riqueza que a Reforma Protestante nos trouxe foi: o acesso às Sagradas Escrituras (tradução no idioma pátrio), sendo ela nossa única regra de fé e prática; o livre exame e interpretação das Escrituras (com o uso da consciência e razão); a paz em saber que os pobres eram e são herdeiros da promessa de salvação em Cristo (quem não tinha dinheiro para comprar as indulgências não era capaz de "salvar-se" das penas eternas ou salvar seus parentes mortos); que Jesus Cristo é o único Senhor e Salvador de nossas vidas e, a salvação é somente pela graça mediante a fé em Cristo, não havendo outros meios; o sacerdócio é universal e de todos os crentes; que somente Deus é digno de receber toda glória, todo louvor e toda adoração.

Contudo, precisamos examinar se estamos celebrando apenas uma "Reforma que ficou na história", ou se estamos escrevendo nossa própria história como legítimos "protestantes"! O que temos protestado nos dias de hoje? Qual nossa contribuição como "Igreja Reformada, sempre se reformando"?

Temos muito ainda a reformar, e, como Lutero, Calvino, Huss, Knox e tantos outros, precisamos continuar protestando contra os muitos discursos e práticas religiosas que, ao contrário de trazer libertação, estão aprisionando pessoas.

As indulgências continuam sendo vendidas. As relíquias também. E estão sendo ressignificadas, recebendo novas roupagens, mas, mantendo simbolismos sincréticos (trocas simbólicas) e comercializadas em Igrejas que se auto-entitulam cristãs!

Precisamos unir nossa voz e ministrar o genuíno Evangelho da Salvação às gentes! A verdadeira Mensagem que liberta! Somos especialmente hoje chamados à sermos Profetas e Profetizas das Boas Novas!

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 31/10/08 por e-mail.