Salmo 89

18/09/2008

 

Promessa do reino messiânico a Davi
Salmo didático de Etã, ezraíta

1 Cantarei para sempre as benignidades do Senhor; com a minha boca proclamarei a todas as gerações a tua fidelidade.
2 Digo, pois: A tua benignidade será renovada para sempre; tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, dizendo:
3 Fiz um pacto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi:
4 Estabelecerei para sempre a tua descendência, e firmarei o teu trono por todas as gerações.
5 Os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, e a tua fidelidade na assembléia dos santos.
6 Pois quem no firmamento se pode igualar ao Senhor? Quem entre os filhos de Deus é semelhante ao Senhor,
7 um Deus sobremodo tremendo na assembléia dos santos, e temível mais do que todos os que estão ao seu redor?
8 Ó Senhor, Deus dos exércitos, quem é poderoso como tu, Senhor, com a tua fidelidade ao redor de ti?
9 Tu dominas o ímpio do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar.
10 Tu abateste a Raabe como se fora ferida de morte; com o teu braço poderoso espalhaste os teus inimigos.
11 São teus os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste.
12 O norte e o sul, tu os criaste; o Tabor e o Hermom regozijam-se em teu nome.
13 Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e elevada a tua destra.
14 Justiça e juízo são a base do teu trono; benignidade e verdade vão adiante de ti.
15 Bem-aventurado o povo que conhece o som festivo, que anda, ó Senhor, na luz da tua face,
16 que se regozija em teu nome todo o dia, e na tua justiça é exaltado.
17 Pois tu és a glória da sua força; e pelo teu favor será exaltado o nosso poder.
18 Porque o Senhor é o nosso escudo, e o Santo de Israel é o nosso Rei.
19 Naquele tempo, falaste em visão ao teu santo e disseste: Coloquei a coroa num homem poderoso; exaltei um escolhido dentre o povo.
20 Achei Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi.
21 A minha mão será sempre com ele, e o meu braço o fortalecerá.
22 O inimigo não o surpreenderá, nem o filho da perversidade o afligirá.
23 Eu esmagarei diante dele os seus adversários, e aos que o odeiam, abaterei.
24 A minha fidelidade, porém, e a minha benignidade estarão com ele, e em meu nome será exaltado o seu poder.
25 Porei a sua mão sobre o mar e a sua destra sobre os rios.
26 Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação.
27 Também lhe darei o lugar de primogênito; fa-lo-ei o mais excelso dos reis da terra.
28 Conservar-lhe-ei para sempre a minha benignidade, e o meu pacto com ele ficará firme.
29 Farei que subsista para sempre a sua descendência, e o seu trono como os dias dos céus.
30 Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nas minhas ordenanças,
31 se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,
32 então, visitarei com vara a sua transgressão, e com açoites a sua iniquidade.
33 Mas não lhe retirarei totalmente a minha benignidade, nem faltarei com a minha fidelidade.
34 Não violarei o meu pacto, nem alterarei o que saiu dos meus lábios.
35 Uma vez para sempre jurei por minha santidade; não mentirei a Davi.
36 A sua descendência subsistirá para sempre, e o seu trono será como o sol diante de mim;
37 será estabelecido para sempre como a lua, e ficará firme enquanto o céu durar.
38 Mas tu o repudiaste e rejeitaste, tu estás indignado contra o teu ungido.
39 Desprezaste o pacto feito com teu servo; profanaste a sua coroa, arrojando-a por terra.
40 Derribaste todos os seus muros; arruinaste as suas fortificações.
41 Todos os que passam pelo caminho o despojam; tornou-se objeto de opróbrio para os seus vizinhos.
42 Exaltaste a destra dos seus adversários; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem.
43 Embotaste o fio da sua espada, e não o sustentaste na peleja;
44 fizeste cessar o seu esplendor, e arrojaste por terra o seu trono;
45 abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha.
46 Até quando, Senhor? Esconder-te-ás para sempre? Até quando arderá a tua ira como fogo?
47 Lembra-te de quão breves são os meus dias; de quão efêmeros criaste todos os filhos dos homens!
48 Que homem há que viva e não veja a morte? Ou que se livre do poder do Seol?
49 Senhor, onde estão as tuas antigas benignidades, que juraste a Davi na tua fidelidade?
50 Lembre-te, Senhor, do opróbrio dos teus servos; e de como trago no meu peito os insultos de todos os povos poderosos,
51 com que os teus inimigos, ó Senhor, têm difamado, com que têm difamado os passos do teu ungido.
52 Bendito seja o Senhor para sempre. Amém e amém.


Este é mais um salmo atribuído a um dos sábios citados em 1 Reis 4.31. Este também era reconhecido como homem sábio e foi um dos parâmetros da época para comparar e exemplificar a sabedoria extrema de Salomão.

No salmo, vemos a expressão de cânticos de júbilo, declarações de majestade do Senhor, de exaltação. Este salmo se mostra como uma grande conclusão do III livro dos que estão dentro do livro dos Salmo (num total de 5), onde encontramos salmos de clamor, angústia, exaltação e louvor. É uma ótima forma de terminar o "livro", sendo ainda um salmo messiânico, apontando no trono de Davi a sequência história para o Messias, Jesus Cristo. É a esperança do salmista, a vinda do Messias, para cuidar do povo que padece.

É um salmo que declara a bondade, a benignidade e a fidelidade do Senhor. Ainda há expressões que mostram angústia, mas a tônica desse salmo não é o clamor, o pedido, mas a constatação da fidelidade do Senhor. O que faz o salmista acreditar que a angústia vai passar, pois essa fidelidade será cumprida.

Alguns salmos ficam no pedido de socorro, no clamor por ajuda. Esse vai além: mostra que o salmista confia no Senhor para cumprir com Sua fidelidade. Do trono de Davi viria o libertador e esse trono sempre teria quem o ocupasse. E em Jesus esse trono é ocupado de forma definitiva! Mas o salmista ainda vivia os dias anteriores ao cumprimento da promessa e aguardava por isso. E confiava!

Há orações que nos limitamos a apresentar nossa angústia diante do Senhor, nossa petição. Mas há momentos em que depositamos a nossa certeza, a nossa fé (certeza do que nem se vê ainda) de que o Senhor irá atender nossa petição em momentos de atuação do Senhor no passado e na convicção que Ele fará de novo! Este salmo é isso: se preocupa muito mais com a declaração da majestade e da fidelidade do Senhor do que com a angústia propriamente dita, que aparece no salmo, mas que se torna nada diante da certeza que o Senhor continuará agindo de forma fiel.

Diante da sua angústia, veja o que o Senhor já prometeu para você e o que cumpriu. Há outras pessoas, quer na Bíblia ou não, que provaram as mesmas angústias ou outras ainda, mas que sentiram o toque e a manifestação do Senhor. Por mais inquieto que você esteja, faça como o salmista: dê ênfase na certeza que o Senhor é fiel e que já agiu no passado, além de depositar sua confiança no fato que o Senhor agirá novamente! Muitas vezes, estamos tão chateados que damos toda a ênfase em nossa angústia. Não é errado! Há salmos que mostram isso! Mas o convite que faço hoje é para, como no presente salmo, observarmos o que o Senhor já fez e confiarmos que Ele vai continuar agindo!

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 18/09/08 por e-mail.