No mundo, tereis aflições...

16/09/2008

 

Esdras 4

1 Ora, ouvindo os adversários de Judá e de Benjamim que os que tornaram do cativeiro edificavam o templo ao Senhor, Deus de Israel,
2 chegaram-se a Zorobabel e aos chefes das casas paternas, e disseram-lhes: Deixai-nos edificar convosco; pois, como vós, buscamos o vosso Deus; como também nós lhe temos sacrificado desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para aqui.
3 Responderam-lhes, porém, Zorobabel e Jesuá e os outros chefes das casas paternas de Israel: Não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus; mas nós sozinhos a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia.
4 Então, o povo da terra debilitava as mãos do povo de Judá, e os inquietava, impedindo-os de edificar;
5 e assalariaram contra eles conselheiros para frustrarem o seu plano, por todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até o reinado de Dario, rei da Pérsia.
6 No reinado de Assuero, no princípio do seu reino, escreveram uma acusação contra os habitantes de Judá e de Jerusalém.
7 Também nos dias de Artaxerxes escreveram Bislão, Mitredate, Tabeel, e os companheiros destes, a Artaxerxes, rei da Pérsia; e a carta foi escrita em caracteres aramaicos, e traduzida na língua aramaica.
8 Reum, o comandante, e Sinsai, o escrivão, escreveram uma carta contra Jerusalém, ao rei Artaxerxes, do teor seguinte,
9 isto é, escreveram Reum, o comandante, Sinsai, o escrivão, e os seus companheiros, os juízes, os governadores, os oficiais, os persas, os homens de Ereque, os babilônios, os susanquitas, isto é, os elamitas,
10 e as demais nações que o grande e afamado Osnapar transportou, e que fez habitar na cidade de Samaria e no restante da província dalém do Rio.
11 Eis, pois, a cópia da carta que mandaram ao rei Artaxerxes: Teus servos, os homens de além do Rio, assim escrevem:
12 Saiba o rei que os judeus que subiram de ti a nós foram a Jerusalém e estão reedificando aquela rebelde e malvada cidade, e vão restaurando os seus muros e reparando os seus fundamentos.
13 Agora saiba o rei que, se aquela cidade for reedificada e os muros forem restaurados, eles não pagarão nem tributo, nem imposto, nem pedágio; e assim se danificará a fazenda dos reis.
14 Agora, visto que comemos do sal do palácio, e não nos convém ver a desonra do rei, por isso mandamos dar aviso ao rei,
15 para que se busque no livro das crônicas de teus pais; e acharás no livro das crônicas e saberás que aquela é uma cidade rebelde, e danosa a reis e províncias, e que nela houve rebelião em tempos antigos; por isso é que ela foi destruída.
16 Nós, pois, estamos avisando ao rei que, se aquela cidade for reedificada e os seus muros forem restaurados, não terás porção alguma a oeste do Rio.
17 Então, o rei enviou esta resposta a Reum, o comandante, e a Sinsai, o escrivão, e aos demais seus companheiros, que habitavam em Samaria e no restante do país a oeste do Rio: Paz.
18 A carta que nos enviastes foi claramente lida na minha presença.
19 E, ordenando-o eu, buscaram e acharam que desde tempos antigos aquela cidade se tem levantado contra os reis, e que nela se tem feito rebelião e sedição.
20 E tem havido reis poderosos sobre Jerusalém, os quais dominavam igualmente toda a província dalém do Rio; e a eles se pagavam tributos, impostos e pedágio.
21 Agora, pois, dai ordem para que aqueles homens parem, a fim de que não seja edificada aquela cidade até que eu dê ordem.
22 E guardai-vos de serdes remissos nisto; não suceda que o dano cresça em prejuízo dos reis.
23 Então, logo que a cópia da carta do rei Artaxerxes foi lida perante Reum e Sinsai, o escrivão, e seus companheiros, foram eles apressadamente a Jerusalém, aos judeus, e os impediram à força e com violência.
24 Então, cessou a obra da casa de Deus, que estava em Jerusalém, ficando interrompida até o segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia.



Alguns pensam que qualquer pessoa pode fazer determinados trabalhos na casa ou mesmo na obra do Senhor. Vemos nesse texto que o povo judeu não permitiu que outros povos participassem da obra de reconstrução do Templo. Esses povos até disseram que serviam ao mesmo Deus. Mas, possivelmente, serviam a outros deuses também e não deveriam se envolver na reconstrução da Casa do Senhor.

Talvez pudessem querer ajudar para depois trazer seus costumes errados para dentro da Casa do Senhor, algo que aconteceu com a "conversão" do império romano, na pessoa do imperador Constantino, no IV século. Sua "conversão" permitiu o encerramento gradual da perseguição que os cristãos sofreram no início, a possibilidade de construções de templos e liberdade para o culto cristão. Mas isso foi cercado com as coisas erradas que os "convertidos" por ocasião, por status (já que o imperador se "converteu", seria politicamente vantajoso ser cristão também), trouxeram para dentro da fé cristã. E esta acabou assimilando muitas dessas coisas nas pessoas de seus líderes da época, pois era melhor ter liberdade do que ser perseguido. Mas isso, apenas humanamente falando, pois espiritualmente não devemos temer os que podem matar o corpo mas sim a morte espiritual e eterna (Mateus 10.28).

Há outras possibilidades que poderíamos levantar. Mas não seguiremos nessa lista, pois acredito que os exemplos acima citados já nos ajudam na possibilidade de levantar até mesmo outras possibilidades do porquê o povo não permitiu que os adversários participassem. A ajuda poderia dar mais rapidez ao processo, mas as consequências poderiam ser muito grandes. Assim, o povo não apostou no fato dos adversários também servirem a Deus na expectativa que mudassem de vida e deixassem outros deuses, mas preferiu seguir na construção sem essa ajuda. E pagaram um preço alto, pois esses que queriam "ajudar", quando tiveram sua oferta de ajuda negada, "trabalharam" para que a obra parasse. Isso mostra que eles não queriam mesmo que aquela Casa estivesse em pé, já que mesmo argumentando que serviam ao Senhor, preferiram que a obra parasse. Parece mesmo que a ideia era atrapalhar de alguma forma o andamento da obra ou, quem sabe, na vivência da religiosidade judaica depois...

Hoje em dia muitas pessoas não aceitam certas pessoas na convivência da vida na igreja. Acham que essas pessoas primeiro precisam mudar de atitude para depois se aproximarem da igreja. Outros acham que se essas pessoas que ainda não estão com uma vida de busca da vontade do Senhor em ordem puderem começar a trabalhar na obra, elas poderiam se converter.

Os dois extremos são ruins! Nem devemos esperar que, por exemplo, um viciado primeiro deixe o vício para depois se aproximar da igreja nem devemos achar que esse mesmo viciado pode continuar nesse caminho errado e ainda assim fazer determinados trabalhos na obra do Senhor. Ele deve se aproximar da igreja para buscar ajuda para deixar o vício. Deve se sentir à vontade e confiante para procurar ajuda. E enquanto é ajudado, não poderá desempenhar determinados trabalhos na obra, aqueles de maior envolvimento com questões espirituais principalmente!

Isso quer dizer que o ideal é que a pessoa que está se acertando diante de Deus possa se aproximar da igreja para buscar mudança de vida e que até pode se envolver em algumas atividades, mas não entrar de cabeça em determinados trabalhos. Já pensou o estrago que podemos ter ao ver alguém que ainda está se acertando diante de Deus envolvido com o louvor na comunidade? Sabemos que qualquer pessoa pode cometer erros, pode pecar. Mesmo quem já está firme! Mas é mais fácil ter uma brecha por parte de alguém que ainda está se acertando do que de alguém que já passou por uma transformação na presença de Deus. Qualquer um pode cometer erros! Mas é mais fácil aquele que ainda está começando fazer algo assim. Não é só o mais novo na fé que pode errar, só é mais fácil.

Que possamos receber bem as pessoas que ainda precisam passar por transformação. Que possamos ajudar essas pessoas, com ministração, oração e bons exemplos! E que possamos ajudar essas pessoas para desenvolverem suas capacidades na comunidade, mas tomando cuidado com que trabalho vão desenvolver no começo, sempre incentivando a crescerem na fé e a desenvolverem mais suas habilidades para a honra e glória do Nome do Senhor!
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 16/09/08 por e-mail.