Uma coisa não anula a outra...

09/09/2008

 

Esdras 3.8-13

8 Ora, no segundo ano da sua vinda à casa de Deus em Jerusalém, no segundo mês, Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesuá, filho de Jozadaque, e os outros seus irmãos, os sacerdotes e os levitas, e todos os que vieram do cativeiro para Jerusalém, deram início à obra e constituíram os levitas da idade de vinte anos para cima, para superintenderem a obra da casa do Senhor.
9 Então, se levantaram Jesuá com seus filhos e seus irmãos, Cadmiel e seus filhos, os filhos de Judá, como um só homem, para superintenderem os que faziam a obra na casa de Deus; como também os filhos de Henadade, com seus filhos e seus irmãos, os levitas.
10 Quando os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, os sacerdotes trajando suas vestes, apresentaram-se com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem ao Senhor, segundo a ordem de Davi, rei de Israel.
11 E cantavam alternadamente, louvando ao Senhor e dando-lhe graças com estas palavras: Porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre sobre Israel. E todo o povo levantou grande brado, quando louvaram ao Senhor, por se terem lançado os alicerces da casa do Senhor.
12 Muitos, porém, dos sacerdotes e dos levitas, e dos chefes das casas paternas, os idosos que tinham visto a primeira casa, choraram em altas vozes quando, a sua vista, foi lançado o fundamento desta casa; também muitos gritaram de júbilo;
13 de maneira que não podia o povo distinguir as vozes do júbilo das vozes do choro do povo; porque o povo bradava em tão altas vozes que o som se ouvia de mui longe.


Vemos neste texto a preocupação com a reconstrução do templo e a definição daqueles que iriam trabalhar na Casa do Senhor. Uma das primeiras tarefas desses que se preocuparam com a reconstrução foi a definição dos levitas.

Confundimos hoje em dia levitas apenas com músicos. Mas levita aqui ia além: cada pessoa que tinha obrigação de trabalho no templo, cada uma das funções que deveriam ser desempenhadas.

O texto revela que isso aconteceu no segundo ano da volta. O final fala de alegria e tristeza: alegria dos que nunca virão o templo e se alegravam por ver algo, o fundamento, e tristeza dos que tinham visto o templo anterior e sua pompa que não denotava aquela ainda inicial reconstrução.

Vemos, assim, um "conflito de gerações", com alegrias e tristezas pelo mesmo evento. Quem já tinha visto antes, não estava feliz de ver o trabalho no templo recomeçar com aquela reconstrução ainda muito distante da beleza anterior e, ao olhar para aquela situação, ficavam tristes, lembrando também da dor da destruição. Mas os mais novos se alegravam com o recomeço, na verade para eles, um começo mesmo.

Parece óbvio, mas vale ressaltar: as pessoas reagem aos mesmos eventos de forma diferente. Diferentes pessoas, diferentes reações, ainda que o evento seja o mesmo. Por isso, devemos ter em mente que nem sempre frases prontas ou situações de exemplos já acontecidos podem trazer alívio e resposta certa para a pessoa que está enfrentando algo. Ela pode reagir de forma diferente! O exemplo pode até ser dado, na tentativa de mostrar que é possível mudar, mas não devemos esperar que a solução seja satisfatória se a pessoa é diferente. Temos o péssimo hábito de achar que se deu certo é porque tem que ser desse jeito, mas para cada pessoa a solução pode ser diferente. Eu costumo dizer que a forma errada de se fazer existe, mas a forma certa pode variar...

Como sabemos pela história e pelos profetas (Zacarias e Ageu, por exemplo), a reconstrução demorou alguns anos. Notamos que a preocupação primeira dos que retornaram do exílio não era a construção, o templo físico, mas a restauração do altar, local da oferta e da reconciliação com o Senhor, e de cada um dos trabalhos a serem executados no templo.

Claro que esse exemplo nos mostra que a preocupação que devemos ter não é com a habitação física, mas com a forma e com o trabalho a ser desempenhado, com a entrega real e a busca verdadeira da vontade do Senhor. Mas não podemos descuidar da construção. Não devemos deixar para lá apenas porque não é o mais importante. Muitos, se preocupam com pompa não apenas no templo, mas na realização de algum trabalho ou tarefa na igreja (ou fora) e se esquecem do compromisso real com o trabalho. Se preocupam mais com a pompa e a beleza e deixam de lado a profundidade. Outros, se preocupam apenas com o conteúdo, com o compromisso em determinadas tarefas e deixam de lado a beleza da forma, da apresentação, em nome de compromisso e profundidade.

O ideal, claro, é termos o devido conteúdo, a devida profundidade, o devido compromisso com a obra, mas sem descuidar da forma de apresentação. Não devemos dar ênfase na forma, mas não porque não devemos cuidar dela, mas porque ela não pode ser o principal! Esse deve ser o compromisso com o Senhor. Não é porque não temos bancos ou cadeiras confortáveis que devemos deixar de lado a realização de um trabalho na igreja. Mas se pudermos ter bancos ou cadeiras confortáveis, será melhor. Isso quer dizer: iremos fazer o trabalho e, se possível iremos melhorar a apresentação e a acomodação para ele, mas não deixaremos de fazer o trabalho. Que seja dessa forma: que tenhamos consciência que não tem problema fazer em boas acomodações e com pompa, beleza, mas não façamos disso o ponto mais importante de um trabalho!
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 09/09/08 por e-mail.