Mudança, sim! Explicações, não...

27/05/2008

 

Neemias 8

1 Então, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.
2 E Esdras, o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres, e de todos os que podiam ouvir com entendimento, no primeiro dia do sétimo mês.
3 E leu nela diante da praça que está fronteira à porta das águas, desde a alva até o meio-dia, na presença dos homens e das mulheres, e dos que podiam entender; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da lei.
4 Esdras, o escriba, ficava em pé sobre um estrado de madeira, que fizeram para esse fim e estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Ananías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão.
5 E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo (pois estava acima de todo o povo); e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.
6 Então, Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo povo, levantando as mãos, respondeu: Amém! Amém! E, inclinando-se, adoraram ao Senhor, com os rostos em terra.
7 Também Jesuá, Bani, Serebias, Jamim, Acube; Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas explicavam ao povo a lei; e o povo estava em pé no seu lugar.
8 Assim leram no livro, na lei de Deus, distintamente; e deram o sentido, de modo que se entendesse a leitura.
9 E Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam o povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus; não pranteeis nem choreis. Pois todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei.
10 Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor. Portanto, não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força.
11 Os levitas, pois, fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; por isso não vos entristeçais.
12 Então, todo o povo se foi para comer e beber, e para enviar porções, e para fazer grande regozijo, porque tinha entendido as palavras que lhe foram referidas.
13 Ora, no dia seguinte ajuntaram-se os cabeças das casas paternas de todo o povo, os sacerdotes e os levitas, na presença de Esdras, o escriba, para examinarem as palavras da lei;
14 e acharam escrito na lei que o Senhor, por intermédio de Moisés, ordenara que os filhos de Israel habitassem em cabanas durante a festa do sétimo mês;
15 e que publicassem e fizessem passar pregão por todas as suas cidades, e em ramos de oliveiras, de zambujeiros e de murtas, folhas de palmeiras, e ramos de outras árvores frondosas, para fazerdes cabanas, como está escrito.
16 Saiu, pois, o povo e trouxe os ramos; e todos fizeram para si cabanas, cada um no eirado da sua casa, nos seus pátios, nos átrios da casa de Deus, na praça da porta das águas, e na praça da porta de Efraim.
17 E toda a comunidade dos que tinham voltado do cativeiro fez cabanas, e habitaram nelas; pois não tinham feito assim os filhos de Israel desde os dias de Josué, filho de Num, até aquele dia. E houve mui grande regozijo.
18 E Esdras leu no livro da lei de Deus todos os dias, desde o primeiro até o último; e celebraram a festa por sete dias, e no oitavo dia houve uma assembléia solene, segundo a ordenança.


O povo queria conhecer o que dizia o livro da Lei, ou ao menos, ouvir novamente, isso para os mais velhos. Os mais novos foram instruídos em muitas coisas do livro, mas tantos anos no exílio afastaram o povo de sua observação completa. Aliás, antes de ir para o exílio o povo já não estava observando todas as coisas mesmo...

Nos versículos 14-16, vemos o povo preocupado em obedecer o que dizia o livro. Tiveram contato com o que estava escrito, queriam isso, chegaram a chorar por conta do que ouviram e possivelmente por estarem tão distantes do que deveria ser feito, foram instruídos a se alegrarem, pois não era palavra de maldição, mas tempo de ajuste, e depois disso, se depararam com a realidade desse ajuste, de começar a fazer o que dizia aquele livro.

Nos versículos que motivam nossa meditação hoje vemos apenas um dos aspectos a serem acertados. Mas sabemos pela história, quer Bíblica, quer convencional (que também mantém registros, confirmando que a história registrada na Bíblia não se trata apenas de uma tentativa de fazer o povo hebreu ter uma história, mas é expressão da verdade), que o povo seguiu outros tantos preceitos. Em alguns pontos, com extremo e exagerado zelo, até se preocuparam além do que deveria, cometendo exageros e erros também. Mas não é este o foco de nossa meditação hoje.

Hoje, queremos notar que o povo não se escondeu atrás de medos ou explicações; antes, cumpriu o que dizia o livro que ouviram. Resolveram colocar em prática o que dizia a Palavra. Poderiam tentar explicar que por tanto tempo fizeram errado, que precisavam de um tempo para o ajuste, ou qualquer coisa do tipo, que se ouve muito hoje em dia. Até concordo que há situações que precisamos de um tempo mesmo. Mas há algumas situações e não são todas! Há situações que comparamos com aquelas que precisam de um tempo para ajuste que, sem crise, por falta de "vergonha na cara" não corrigimos logo no primeiro momento! Há situações que podem ser corrigidas logo! E devemos fazer isso, deixando para aquelas que realmente precisam de um tempo essa prerrogativa de ajuste aos poucos. Aquilo que dá para arrumar logo, devemos arrumar logo!

Muitos se explicam diante da Palavra e tentam dar motivos para a impossibilidade de ajuste logo. Outros, cometem erros e ao se depararem com a realidade, tentam explicar das mais variadas formas os seus erros, tentando fazer parecer certo. Por exemplo: vender material pirata é crime! Se alguém tem os direitos de determinado programa de computador ou qualquer outra coisa que se venda sem ser da forma correta, é crime! Não pense que por manter um trabalho da obra do Senhor o crime não existe! Não pense que porque se vende baratinho não é crime. Se o direito não é seu sobre o produto, se você vender por qualquer valor, será lucro indevido. Erro! Gravar músicas em cd, músicas de outros autores, sem pedir autorização e pagar por direitos ou conseguir a autorização sem custos e vender, é crime. E muitos fazem isso...

A lista de erros que muitos tentam justificar é imensa. Alguns acham que o preço abusivo de um produto justifica a pirataria para facilitar para outras pessoas. Isso, na verdade, é o famoso "explica, mas não justifica". Já pensou no que quer dizer essa expressão? Quer dizer: até dá para entender os motivos, mas não torna a atitude correta, certa. Até compreendemos os motivos, mas não é correto mesmo assim!

No texto de hoje, o povo não apresentou explicações. Alguns podem dizer que talvez alguns tenham feito. Bom... eu prefiro ser comparado com os notáveis, os que apareceram na história, e não com os que não são citados, pois no texto, se é que houve quem tentasse explicar, não aparece.

Mesmo que pareça difícil, vale a pena fazer o certo. Não devemos nos preocupar em ser demasiadamente justos, diz a Palavra, mas isso não quer dizer que podemos cometer erros! Como seres humanos, corremos o risco de errar até mesmo sem querer errar. Não é o que Paulo diz: o bem que quero, não faço, o mal que não quero, está sempre diante de mim? Então, devemos fugir do erro consciente e deixar aquele que podemos cometer até sem notar, tão logo notemos. Nada de explicações, mas atitude de mudança!

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 27/05/08 por e-mail.