Salmo 78 - introdução

01/05/2008

 

A providência divina na história do seu povo
Salmo didático de Asafe

1 Escutai o meu ensino, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
2 Abrirei a minha boca numa parábola; proporei enigmas da antiguidade,
3 coisas que temos ouvido e sabido, e que nossos pais nos têm contado.
4 Não os encobriremos aos seus filhos, cantaremos às gerações vindouras os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que tem feito.
5 Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, as quais coisas ordenou aos nossos pais que as ensinassem a seus filhos;
6 para que as soubessem a geração vindoura, os filhos que houvesse de nascer, os quais se levantassem e as contassem a seus filhos,
7 a fim de que pusessem em Deus a sua esperança, e não se esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos;
8 e que não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração de coração instável, cujo espírito não foi fiel para com Deus.
9 Os filhos de Efraim, armados de arcos, retrocederam no dia da peleja.
10 Não guardaram o pacto de Deus, e recusaram andar na sua lei;
11 esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.
12 Maravilhas fez ele à vista de seus pais na terra do Egito, no campo de Zoã.
13 Dividiu o mar e os fez passar por ele; fez com que as águas parassem como um montão.
14 Também os guiou de dia por uma nuvem e a noite toda por um clarão de fogo.
15 Fendeu rochas no deserto e deu-lhes de beber abundantemente como de grandes abismos.
16 Da penha fez sair fontes e fez correr águas como rios.
17 Todavia, ainda prosseguiram em pecar contra ele, rebelando-se contra o Altíssimo no deserto.
18 E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo comida segundo o seu apetite.
19 Também falaram contra Deus, dizendo: Poderá Deus porventura preparar uma mesa no deserto?
20 Com efeito, feriu ele a rocha, e dela manaram águas, transbordaram caudais. Pode ele dar-nos pão também? Ou fornecer carne para o seu povo?
21 Pelo que o Senhor, quando os ouviu, se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e a sua ira subiu contra Israel;
22 porque não creram em Deus nem confiaram na sua salvação.
23 Contudo, ele ordenou às nuvens lá em cima e abriu as portas dos céus;
24 fez chover sobre eles maná para comerem e deu-lhes do trigo dos céus.
25 Cada um comeu o pão dos poderosos; ele lhes mandou comida em abundância.
26 Fez soprar nos céus o vento do oriente, e pelo seu poder trouxe o vento sul.
27 Sobre eles fez também chover carne como poeira, e aves de asas como a areia do mar;
28 e as fez cair no meio do arraial deles, ao redor de suas habitações.
29 Então, comeram e se fartaram bem, pois ele lhes trouxe o que cobiçavam.
30 Não refrearam a sua cobiça. Ainda lhes estava a comida na boca,
31 quando a ira de Deus se levantou contra eles, e matou os mais fortes deles, e prostrou os escolhidos de Israel.
32 Com tudo isso ainda pecaram e não creram nas suas maravilhas.
33 Pelo que consumiu os seus dias como um sopro, e os seus anos em repentino terror.
34 Quando ele os fazia morrer, então, o procuravam; arrependiam-se, e de madrugada buscavam a Deus.
35 Lembravam-se de que Deus era a sua rocha, e o Deus Altíssimo, o seu Redentor.
36 Todavia, lisonjeavam-no com a boca, mas com a língua lhe mentiam.
37 Pois o coração deles não era constante para com ele, nem foram eles fiéis ao seu pacto.
38 Mas ele, sendo compassivo, perdoou a sua iniquidade e não os destruiu; antes, muitas vezes desviou deles a sua cólera e não acendeu todo o seu furor.
39 Porque se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta.
40 Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto, e o ofenderam no ermo!
41 Voltaram atrás e tentaram a Deus; e provocaram o Santo de Israel.
42 Não se lembraram do seu poder, nem do dia em que os remiu do adversário,
43 nem de como operou os seus sinais no Egito, e as suas maravilhas no campo de Zoã,
44 convertendo em sangue os seus rios, para que não pudessem beber das suas correntes.
45 Também lhes mandou enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruíram.
46 Entregou às lagartas as novidades deles, e o fruto do seu trabalho aos gafanhotos.
47 Destruiu as suas vinhas com saraiva, e os seus sicômoros com chuva de pedra.
48 Também entregou à saraiva o gado deles, e aos coriscos os seus rebanhos.
49 E atirou sobre eles o ardor da sua ira, o furor, a indignação, e a angústia, qual companhia de anjos destruidores.
50 Deu livre curso à sua ira; não os poupou da morte, mas entregou a vida deles à pestilência.
51 Feriu todo primogênito no Egito, primícias da força deles nas tendas de Cão.
52 Mas fez sair o seu povo como ovelhas, e os guiou pelo deserto como a um rebanho.
53 Guiou-os com segurança, de sorte que eles não temeram; mas aos seus inimigos, o mar os submergiu.
54 Sim, conduziu-os até a sua fronteira santa, até o monte que a sua destra adquirira.
55 Expulsou as nações de diante deles; e dividindo suas terras por herança, fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.
56 Contudo, tentaram e provocaram o Deus Altíssimo, e não guardaram os seus testemunhos.
57 Mas tornaram atrás, e portaram-se aleivosamente como seus pais; desviaram-se como um arco traiçoeiro.
58 Pois o provocaram à ira com os seus altos, e o incitaram a zelos com as suas imagens esculpidas.
59 Ao ouvir isso, Deus se indignou, e sobremodo abominou a Israel.
60 Pelo que desamparou o tabernáculo em Siló, a tenda da sua morada entre os homens,
61 dando a sua força ao cativeiro, e a sua glória à mão do inimigo.
62 Entregou o seu povo à espada, e encolerizou-se contra a sua herança.
63 Aos seus mancebos o fogo devorou, e suas donzelas não tiveram cântico nupcial.
64 Os seus sacerdotes caíram à espada, e suas viúvas não fizeram pranto.
65 Então, o Senhor despertou como dum sono, como um valente que o vinho excitasse.
66 E fez recuar a golpes os seus adversários; infligiu-lhes eterna ignomínia.
67 Além disso, rejeitou a tenda de José, e não escolheu a tribo de Efraim;
68 antes escolheu a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava.
69 Edificou o seu santuário como os lugares elevados, como a terra que fundou para sempre.
70 Também escolheu a Davi, seu servo, e o tirou dos apriscos das ovelhas;
71 de após as ovelhas e suas crias o trouxe, para apascentar a Jacó, seu povo, e a Israel, sua herança.
72 E ele os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou com a perícia de suas mãos.


Este salmo é mais um atribuído a Asafe.

Vamos dividir esta mensagem em 5 semanas. Seguiremos uma divisão que pode ser notada no próprio salmo:

1) Introdução (hoje);

2) Soberania de Deus sobre a Natureza;

3) Vitórias de Deus sobre os Egípcios incrédulos;

4) Punição de infiéis;

5) Conclusão.

Como introdução a esta meditação, podemos escrever:

O salmo é o resgate da história. Vemos a narrativa de alguns eventos e algumas situações da história de Israel desde Moisés até Davi. É o resgate para lembrança, para recordar dos feitos do Senhor, tanto diante da fidelidade do povo como também diante da infidelidade. Parece a tentativa de mostrar que quando se faz a vontade do Senhor, pode-se esperar por grandes coisas mas, quando não se faz, pode acontecer muitas coisas ruins.

Insistimos nesse "pode". É que muitos acham que quem é "bonzinho" recebe coisas boas e quem é "ruinzinho" recebe coisas más. Não é bem assim o tempo todo! Muitas vezes vemos pessoas que fazem coisas ruins ou erradas se "dando bem" e quem busca fazer o certo, passa por certas dificuldades. Muitos salmos mostram essa mesma crise nos salmistas!

Isso quer dizer que nem sempre fazendo o certo, o bem, teremos coisas boas logo de cara. Podemos esperar pela eternidade, ainda que tenhamos que enfrentar dificuldades em nossos dias ou, ao menos, por alguns dias. Lembram de José? O que ele fez para ser vendido como escravo? O que ele fez para ir para uma prisão? No entanto, teve que passar por essas situações e demorou mais de 20 anos entre seus primeiros sonhos (revelações) de que ele seria grande e seus irmãos se dobrariam perante ele e o cumprimento de tal evento.

E Jó? Se preocupava em pedir misericórdia ao Senhor por erros de seus filhos! O arrependimento precisa ser individual, mas Jó se preocupava com sua família. Sabemos bem a história dele, afinal temos um livro na Bíblia com 42 capítulos contando isso...
Nos dois exemplos que cito, sabemos que a história mudou. Eles não permaneceram no meio da dificuldade. E José, ainda que no meio da dificuldade, era agraciado, pois notavam que havia algo diferente nele e que o que ele fazia dava certo. Mas eles precisaram passar por momentos de angústia, ainda que não tivessem feito algo errado.

A diferença é que tinham a consciência tranquila. Ainda que em dificuldade, sabiam que estavam em ordem. Muitos cometem erros e acham que não terão que responder por eles porque num primeiro momento as coisas até melhoram! Mas com o passar dos dias as dificuldades virão, ainda que seja um peso na consciência num primeiro momento. Acaba sendo natural. E se nada acontecer, e não houver arrependimento, ainda que as coisas fiquem em ordem por aqui, a eternidade será um grande problema.

Ainda que as dificuldades se apresentem, vale a pena fazer o exercício deste salmo: lembrar dos acontecimentos. No meio da crise, podemos não ver o que pode acontecer e nem darmos importância ao que já está acontecendo para melhorar. Muitas vezes a dificuldade é tão grande que não conseguimos ver pequenas mudanças!

Mas fazer esse exercício do que aconteceu no passado, do cuidado do Senhor no meio de uma dificuldade, da vitória alcançada, da mudança do quadro e por aí vai, nos dá a chance de começarmos a notar pequenas diferenças. E isso pode fazer uma grande diferença!
Vale a pena lembrar do que o Senhor já fez! Pode ser tanto em nossa vida, como na vida de pessoas próximas ou em testemunhos em igrejas, livros ou rádio e televisão, ou ainda nas páginas da Bíblia. Veremos o que já aconteceu, como situações que pareciam sem solução se tornaram em grande libertação e poderemos notar que pode acontecer mais uma vez.

Nas próximas semanas continuaremos escrevendo sobre este salmo.

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 01/05/08 por e-mail.