Salmo 59

13/12/2007

 

Súplica em prol de libertação
Ao mestre de canto. Segundo a melodia
"Não destruas". Hino de Davi, quando
Saul mandou que lhe sitiassem a casa,
para o matar

1 Livra-me, Deus meu, dos meus inimigos; protege-me daqueles que se levantam contra mim.
2 Livra-me dos que praticam a iniquidade, e salva-me dos homens sanguinários.
3 Pois eis que armam ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha nem por pecado meu, ó Senhor.
4 Eles correm e se preparam, sem culpa minha; desperta para me ajudares e olha.
5 Tu, ó Senhor, Deus dos exércitos, Deus de Israel, desperta para punir todas as nações; não tenhas misericórdia de nenhum dos pérfidos que praticam a iniquidade.
6 Eles voltam à tarde, uivam como cães, e andam rodeando a cidade.
7 Eis que eles soltam gritos; espadas estão nos seus lábios; porque (pensam eles), quem ouve?
8 Mas tu, Senhor, te rirás deles; zombarás de todas as nações.
9 Em ti, força minha, esperarei; pois Deus é o meu alto refúgio.
10 O meu Deus com a sua benignidade virá ao meu encontro; Deus me fará ver o meu desejo sobre os meus inimigos.
11 Não os mates, para que meu povo não se esqueça; espalha-os pelo teu poder e abate-os, ó Senhor, escudo nosso.
12 Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios fiquem presos na sua soberba. Pelas maldições e pelas mentiras que proferem,
13 consome-os na tua indignação; consome-os, de modo que não existam mais; para que saibam que Deus reina sobre Jacó, até os confins da terra.
14 Eles tornam a vir à tarde, uivam como cães, e andam rodeando a cidade;
15 vagueiam buscando o que comer, e resmungam se não se fartarem.
16 Eu, porém, cantarei a tua força; pela manhã louvarei com alegria a tua benignidade, porquanto tens sido para mim uma fortaleza, refúgio no dia da minha angústia.
17 A ti, ó força minha, cantarei louvores; porque Deus é a minha fortaleza, é o Deus que me mostra benignidade.



Mais um salmo atribuído a Davi.

Davi, mais uma vez, clama por libertação. Mais um salmo que mostra a realidade que muitas vezes sofremos perseguições, passamos por problemas, e não necessariamente porque tenhamos pecado. Isso acontece, é fato, e em algumas situações que passamos, temos a chance de repensar as coisas de nossa vida. Mas há situações em que somos perseguidos, passamos por problemas, e não há nenhum pecado específico ligado com aquela situação. Passamos para crescer como seres humanos, para dar exemplo que é possível suportar, enfrentar. Para dar testemunho do cuidado do Senhor durante a angústia. Para, enfim, testemunhar a vitória que recebemos da parte do Senhor (João 9.1-3).

A vitória virá da parte do Senhor. Davi confiava nisso, viu isso acontecer com sua vida. Não importava a angústia, a perseguição, a luta. Poderia até causar inquietação (como quando ele foge do seu próprio filho), mas a certeza do cuidado do Senhor estava acima da inquietação. A certeza que o melhor ia acontecer, que o Senhor resolveria os ataques pessoais e não ele, com sua espada (que foi usada!), lhe deram uma fé muito grande e ele viu muitas coisas da parte do Senhor. Sofreu, como qualquer ser humano. Falhou em algumas vezes. Mas confiou no cuidado do Senhor e viu coisas grandiosas. Confiou na misericórdia de Deus, se arrependendo de erros e não remoendo os mesmos. E ele segue como um exemplo para cada um de nós: Não importa a luta; importa o cuidado do Senhor. Não importa a inquietação; importa a certeza da ação de Deus. A luta, a inquietação, a dor, essas coisas, estarão diante de nós! Mas o que importa é a certeza que o Senhor está no controle e não há ataque ou injustiça que permaneça. Na hora certa, a vitória virá da melhor maneira.

Muitas vezes Davi teve a chance em suas mãos de acabar com um problema, uma perseguição. Mas preferiu esperar no Senhor. E viu o cuidado Dele. Quando precisava agir, ele agia! Mas, apesar de viver a realidade de qualquer ser humano, com pecados (a não ser Jesus), ele sabia que podia confiar no Senhor. Lutava contra seus erros e queria mais intimidade com o Senhor. Não podemos dizer que Davi não errou! Mas ele sabia reconhecer seu erro, não tentando explicar de qualquer forma a sua atitude errada. Reconhecia e buscava a mudança. Dessa forma, ele podia realmente confiar no Senhor e aguardar a resposta certa que vinha Dele. Se era para agir, ele agia, como fez muitas vezes. Se era para esperar, ele esperava. Porque, quer agindo, quer esperando, o que Davi queria era a realização da vontade do Senhor. Ele enfrentou inimigos! Por que não enfrentou Saul ou Absalão, que se levantaram contra ele? Ele tinha intimidade com Deus para saber a hora de esperar. Precisamos essa intimidade, pois não é sempre que vamos agir da mesma forma que já deu certo e que vai ser a forma certa. Precisamos ouvir sempre do Senhor a forma certa de agir. Uma situação pode se desenhar igual a algo que já aconteceu no passado e podemos achar que o jeito certo de agir é o mesmo que deu certo em outra vez. mas o Senhor vê além do que estamos vendo e sabe se alguma coisa será diferente. Por isso, precisamos estar atentos ao toque do Senhor e agir da forma certa a cada situação. Da forma que o Senhor quer e não da forma que parece para nós a correta.

A certeza de que Deus vai agir (quer nos dando a estratégia de atitude, quer nos fazendo esperar por Sua intervenção direta ou indireta, através de algo ou alguém), pode gerar em nós a confiança que devemos ter em Deus. Exaltar, independente de aparências, porque confiamos na ação do Senhor. Louvar, independente das circuntâncias, pois Ele está no controle. Ter fé. Muitos conseguem ter fé quando as coisas estão em ordem. Outros, se apegam a fé quando algo está errado. As duas formas precisam ser repensadas. Quem tem fé "inabalável" sem problemas e ao primeiro sinal de inquietação já reclama, não está firme nessa fé. Quem se apega a fé quando as coisas vão mal, corre o risco de deixar a fé quando as coisas se acertarem. Ter fé é ir além do que está bom ou ruim. É crer no cuidado do Senhor. Aguardar Sua manifestação, quer esteja com as coisas em ordem ou não.

Ter fé, de fato, não é se abstrair da realidade de um problema. Não é não lamentar ou não se inquietar. Vemos nos salmos muitos lamentos e inquietações diante do problema. Mas junto com isso vem a declaração de fé, a confiança que, mesmo parecendo ruim, o cuidado do Senhor é uma realidade. Não é se alienar; é confiar. Não é se apegar ao Senhor quando algo está ruim. É ter relacionamento com Ele, quer tenha problema ou não. É confiar.

Tenhamos fé. Não diante de um problema, mas diante da certeza que o Senhor está no controle. Não apenas para solucionar uma crise, mas está no controle em tudo, nos bons e nos maus momentos. Não vamos negar um problema! Vamos, antes, confiar na ação de Deus. E nos manter firmes, tanto diante dos bons como dos maus momentos, com fé inabalável. Afinal, o cuidado do Senhor não se manifesta apenas quando temos problemas, mas também quando temos as coisas em ordem.

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 13/12/07 por e-mail.