Dia da Reforma

310/10/2007

 

Quando eu estudava (e não faz tanto tempo assim!), eu aprendi, na escola, que 31 de outubro era Dia da Reforma Protestante. Não aprendi na igreja, pois cresci em um lar católico. Mas aprendi nas aulas de história na escola sobre a Reforma, a Contra-Reforma e muitos assuntos ligados a esse evento.

Em alguns países, a comemoração lembrada no dia de hoje é outra, pelo menos por algumas pessoas. Não vou nem citar tal comemoração! Alguns afirmam que é questão cultural, folclore, que a origem não tem ligação com o que se afirma.

Eu entendo que, infelizmente, o dia da Reforma Protestante está sendo esvaziado. Não vejo mais falar sobre isso e sim sobre essa outra comemoração.

Não quero entrar no mérito. A questão de folclore ou cultural pode ter seu fundo religioso e fica escondido numa comemoração que parece ser diferente. Ao longo dos anos, na tentativa de outras pessoas participarem de determinadas comemorações, a origem é esquecida e se dá nova roupagem para o possível início de determinada comemoração e muitos acabam caindo em engano, sem nem saber a real origem, o que de fato motivou e, mesmo que se afirme diferente, o que realmente está por trás, mesmo que a pessoa não faça com aquele direcionamento. O Brasil é um país cheio de folclore, festas que são religiosas, mas que as pessoas tentam fazer parecer que não são, e até mesmo no meio evangélico muitos estão assumindo determinadas festas, com essa nova roupagem.

O inimigo de nossas almas pode se fazer de anjo de luz para tentar enganar. E as pessoas não estão notando as artimanhas do inimigo e estão entrando nas mais variadas comemorações que são religiosas, mas que ganham nova roupagem e nova explicação. Não só a que muitos comemoram hoje. Há muitas outras que estão rondando as igrejas e isso realmente me preocupa.

Se fazer de grego para ganhar gregos é diferente de virar grego para ganhar gregos... Muitos se fiam nesse texto Bíblico para defender determinadas atitudes no que diz respeito a essas comemorações que entram nas igrejas, quando não deveriam fazer parte do quadro de atividades.

Como a mensagem de hoje seria sobre o Apocalipse, vou buscar em uma mensagem enviada em 20/09/06 a inspiração para observar os acontecimentos atuais, que muitas vezes invadem as igrejas, sob a aparência de que é coisa boa ou que não tem problema, e ver o que o livro do Apocalipse falou da igreja que, tudo indica, profetizou com sua existência na história e com a carta a ela enviada, os dias que nós estamos vivendo:

Apocalipse 3.14-22

14 E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
16 Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
17 Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
18 Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.
19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
21 Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.
22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Esta é a carta para a igreja de Laodicéia, a última carta dentro do Apocalipse endereçada a igrejas específicas que, insisto como já fiz antes, são igrejas históricas, que existiram, mas que também representam períodos históricos da caminhada da História Eclesiástica. Sendo a última carta, representa, então, nosso período. Nisso acredito tanto eu como acreditam muitos estudiosos do assunto.

Mais uma vez a carta começa com a apresentação de quem é O “remetente”: o próprio Cristo, que revela para João a apresentação, dando conta de ser Ele a testemunha verdadeira, o Fim de todas as coisas, e mais que isso, a Testemunha desde a Criação, desde o início de tudo!

Laodicéia é uma cidade fundada no século III a. C., por Selêucida Antíoco II e o seu nome é uma homenagem à esposa desse imperador, Laodice. Era uma cidade da província Romana da Ásia Menor e ficava na parte ocidental da Turquia Asiática moderna. Cidade muito próspera, a ponto de haver registros históricos que dão conta que rejeitou o apoio romano quando foi destruída em um terremoto em 60 d. C., mostrando a autonomia que possuía, o que nos dá pistas do porquê de uma apresentação mostrando a eternidade do Senhor, dando conta que Ele sim é auto-suficiente!

Há divergências sobre o assunto, mas ou em Laodicéia não havia abastecimento local de água, o que fazia com que a cidade precisasse dos aquedutos antigos para seu abastecimento e a água chegava quente por conta da viagem até a cidade ou havia na cidade fontes de água quente que não se mostravam adequadas para consumo no momento da sede. De uma forma ou de outra, a cidade conhecia a sensação de beber água morna e sabia muito bem o que o Senhor deixava claro com a citação...

A auto-suficiência da cidade parece refletida na questão espiritual, dando conta que não é frio nem quente, não é tão firme no evangelho, mas não está fora da realidade evangelical completamente. Não está nem no rol de compromissadas verdadeiramente nem no rol das não compromissadas. É um meio termo. E isso é criticado pelo Senhor, pois se houvesse comprometimento real, estariam desfrutando de coisas grandiosas do Senhor e se não houvesse nenhum comprometimento, estariam completamente fora do caminho. Mas estão num perigoso meio termo, que revela o conhecimento das coisas do Senhor, mas não um comprometimento completo. Logo, por padrões de comparação humanos, até seriam convertidos, mas não aprofundavam na intimidade do Senhor. Não estavam na condição de completos desconhecedores das coisas do Senhor, mas viviam na superficialidade (vs. 15-16).

Isso pode ser pior que a não conversão! Exatamente porque se pode achar que já existe comprometimento suficiente com o Senhor, quando na verdade, não há...

O Senhor deixa claro que a comunidade acha que possui grandiosidade de bens, e talvez se referindo não apenas aos bens físicos, mas numa comparação com a realidade espiritual. A comunidade se acha muito “rica” espiritualmente falando e o Senhor deixa claro que não é bem assim (vs. 17-18).

No versículo 20 há um grande ponto para buscarmos interpretações: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”.

Podemos pensar:

1) Não adianta cultuar ao Senhor em Templos. Não adianta realizar grandes obras. O que é mais importante é ter o Senhor dentro da nossa vida e aí sim fazer o culto no Templo ou realizar grandes obras. O realizar não compete a nós! Esse é do Senhor. Quando nos envolvemos em realizar, podemos incorrer no erro de deixar o Senhor de fora dessa realização, mesmo dizendo que é em nome Dele. Na verdade, devemos deixar o Senhor entrar em nossa vida e deixar Ele realizar em nós e através de nós!

2) Será que em nossa auto-suficiência evangélica de realizações não estamos deixado no Senhor fora da Igreja, a ponto Dele ter que bater à porta?

3) Não dá pra termos um envolvimento superficial com o Senhor. Corremos o risco de sermos mornos! É necessário um envolvimento profundo, a ponto de deixarmos nossa vida completamente nas mãos Dele, para que Ele possa agir em nós e através de nós! Devemos nos dispor a essa realização e, claro, fisicamente será reconhecido que nós fizemos! Mas na verdade quem deve agir é o Senhor.

4) Será que realmente não estamos vivendo esse tempo da Igreja de Laodicéia, onde muitas vezes se realiza em nome do Senhor sem nem mesmo saber se é para fazer determinada obra? Não é porque é correto que necessariamente devemos fazer! Não é porque parece ser a atitude correta que devemos realizar. Do errado, fugimos, claro! Mas devemos saber o que realmente o Senhor quer que seja realizado e mais: deixar Ele agir através de nós!

5) Será que o Senhor Jesus teria lugar em nossas igrejas se viesse fisicamente nos visitar em nossos dias? Um homem que no seu tempo comia e andava com pecadores, que atraía para perto de si esse tipo de gente que hoje em dia, em nossas comunidades, se sente julgada e nem quer se aproximar? Será que Jesus seria recebido por andar com essas pessoas e por atrair essas pessoas para perto de si? Se Ele entrasse em nossas igrejas, essas pessoas iriam com ele. Será que elas também seriam aceitas? Acho que poderia acontecer até mesmo a rejeição de Jesus por andar com essas pessoas, quanto mais dessas pessoas. Hoje não atraímos essas pessoas, que se aproximavam do Senhor para buscar consolo, entendimento e arrependimento. Hoje corremos o risco de afastar essas pessoas...

Que possamos ouvir o Espírito e deixar Ele agir em nós e através de nós. Não aceitando o pecado, de fato, mas auxiliando o pecador a deixar o caminho errado, se ele quiser e denunciando o erro, claro. E deixando o Senhor dentro de cada uma de nossas decisões e atitudes, mais que isso, deixando Ele decidir e agir! Não agindo só por conhecer as coisas mas por deixar o Senhor agir em nós!

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 31/10/07 por e-mail.