Salmo 49

27/09/2007

 

A vaidade do homem
Ao mestre de canto. Salmo dos filhos de Corá

1 Ouvi isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os habitantes do mundo,
2 quer humildes, quer grandes, tanto ricos como pobres.
3 A minha boca falará a sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento.
4 Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; decifrarei o meu enigma ao som da harpa.
5 Por que temeria eu nos dias da adversidade, ao cercar-me a iniquidade dos meus perseguidores,
6 dos que confiam nos seus bens e se gloriam na multidão das suas riquezas?
7 Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, nem por ele dar um resgate a Deus,
8 (pois a redenção da sua vida é caríssima, de sorte que os seus recursos não dariam;)
9 para que continuasse a viver para sempre, e não visse a cova.
10 Sim, ele verá que até os sábios morrem, que perecem igualmente o néscio e o estúpido, e deixam a outros os seus bens.
11 O pensamento íntimo deles é que as suas casas são perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes.
12 Mas o homem, embora esteja em honra, não permanece; antes, é como os animais que perecem.
13 Este é o destino dos que confiam em si mesmos; o fim dos que se satisfazem com as suas próprias palavras.
14 Como ovelhas são arrebanhados ao Seol; a morte os pastoreia; eles descem diretamente para a cova e a sua formosura se consumirá no Seol, que lhes será por habitação.
15 Mas Deus remirá a minha alma do poder do Seol, pois me receberá.
16 Não temas quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa aumenta.
17 Pois, quando morrer, nada levará consigo; a sua glória não descerá após ele.
18 Ainda que ele, enquanto vivo, se considera feliz e os homens o louvam quando faz o bem a si mesmo,
19 ele irá ter com a geração de seus pais; eles nunca mais verão a luz.
20 Mas o homem, embora esteja em honra, não permanece; antes, é como os animais que perecem.

Este salmo também é atribuído aos filhos de Corá.

O início do salmo é um chamado a todos os habitantes da terra. Não há interesse de se atingir um grupo específico na classe social ou a uma nação de forma particular. O chamado para ouvir das coisas do Senhor, através do servo que se apresenta para falar, é para todas as pessoas. Não importa classe social ou nacionalidade. Vemos, assim, que o Espírito Santo já inquietava quem aceitava a responsabilidade de falar em nome do Senhor para o direcionamento de que a salvação seria estendida a todos e não apenas aos judeus. Em Abrão (depois, Abraaão), há a promessa de que seriam benditas todas as famílias da terra (não apenas os hebreus!) e toda a Bíblia mostra que a salvação seria ampliada para além das fronteiras da terra do povo escolhido, diante de convertidos de fora ou de pessoas que já eram tocadas pelo Espírito, mesmo no Antigo Testamento, ampliando cada vez mais a direção do chamado d a salvação para além dos limites da nação judaica.

O salmista vai além da falta de diferenciação entre classes sociais e nações. Ele deixa claro que quem faz parte de um grupo social menos abastado não deve temer aquele que faz parte de um grupo com melhor condição de vida. É uma tendência natural do ser humano: o que tem mais acaba oprimindo quem tem menos. Mas, se diante do Senhor são todos iguais, o que é menos provido não deve temer quem é mais, pois o cuidado do Senhor vai se revelar para os dois grupos, se ambos, claro, viverem debaixo da vontade do Senhor. Aliás, se vivermos debaixo da vontade do Senhor, não iremos discriminar ninguém por categoria social ou por qualquer outra classificação humana! Mas, porque existe esse tipo de reação na humanidade, Deus se apresenta através do salmista, deixando claro que não há o que temer.

O salmo deixa claro que todos são iguais diante de Deus. Ainda que alguns tenham condições melhores nesta vida, não há diferença de tratamento quando esta acaba. Dessa forma, as diferenças humanas que existem na sociedade nada são diante de Deus. Afinal, não importa nenhum tipo de riqueza ou de qualquer (aparente ou real) benefício social, pois, por exemplo, a morte vai encontrar a todos. Só não enfrentarão a morte aqueles que estiverem vivos quando do arrebatamento da igreja e que estiverem em ordem para participar de tal evento. Mas esse tem sido nosso assunto nas quartas-feiras...

O que o salmo deixa claro: não vale a pena nenhuma diferença social. O que realmente vale a pena é estar debaixo da vontade do Senhor e poder experimentar eternamente Seu cuidado. Nada do que se tenha hoje pode ser comparado com a eternidade com o Senhor. Pode parecer bom, mas não vale nada sem o cuidado e a direção do Senhor. Podemos até ter muitas facilidades sociais enquanto vivemos aqui! Mas não podemos confiar nisso em detrimento da vontade do Senhor, pois essas coisas são passageiras e o cuidado do Senhor é eterno. E, claro, não podemos oprimir quem quer que seja, pois diante de Deus somos realmente iguais, sem as diferenças sociais que nos separam muitas vezes.

Melhor é viver de acordo com a vontade do Senhor do que confiar em facilidades sociais. E, não tendo facilidades sociais, não devemos temer quem tenha e tente nos oprimir por isso, pois diante do Senhor todos são iguais mesmo!
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 27/09/07 por e-mail.