Comentário de livro Bíblico: 2 Crônicas

03/09/2007




Autoria e Data 
Os livros 1 e 2 Crônicas também eram originalmente um só livro. No texto original hebraico, formavam um só livro chamado de “Acontecimentos dos Dias”. Como a identidade do autor dessa obra não é apresentada no texto, muitos optaram por se referir a esse autor desconhecido simplesmente como “o cronista”.
 
No entanto, Esdras é o candidato mais provável para a autoria de Crônicas, lembrando sempre que no mundo antigo não existe a preocupação com direitos autorais - o autor não é necessariamente quem terminou o texto, mas sim quem começou a escrever ou a passar o ensinamento. A antiga tradição judaica do Talmude afirma que Esdras escreveu o livro.
 
O que reforça a tese da autoria de Esdras (ou de alguém que “bebeu” na sua fonte e escreveu Crônicas) é o texto dos versículos finais de 2 Crônicas (36.22,23), que aparecem também como os versículos iniciais de Esdras (ver Edras 1.1-3 – o último versículo, de mesmo conteúdo histórico, pode apresentar variações na forma como foi escrito). Isso não apenas reforça o argumento que aponta Esdras como autor de Crônicas, mas pode ser também uma indicação de que Crônicas e Esdras tenham sido em algum momento uma única obra, talvez unindo os dois livros de Crônicas com o livro de Esdras e, quando houve a separação, o início do livro de Esdras ficou sendo o final do livro de Crônicas (no caso, do 2º livro, após a divisão). Soma-se a isso o fato de que 1 e 2 Crônicas e Esdras tenham estilo, vocabulário e conteúdo similares.
 
Dessa forma, entendemos o seguinte: quando Esdras escreveu, ele teria feito um único livro, que seria o esboço dos dois livros de Crônicas que temos hoje e o seu próprio livro. Desse escrito de Esdras, alguém que teve acesso a essas informações e a outras mais, direcionado pelo Espírito Santo, compilou o texto que temos hoje, com as informações já apresentadas por Esdras e outras que talvez tenham partido do próprio Esdras, mas que não fariam parte do texto original. E o compilador, historicamente posterior ao escritor do texto, teve acesso a mais informações históricas e pôde ampliar o texto, chegando a essa forma que temos hoje.
 
Por conta da incerteza do período histórico do compilador, fica difícil estabelecer a data exata para 1 e 2 Crônicas. É provável que a sua forma final tenha surgido lá pelo final do século V a. C. O último evento registrado nos versículos finais de 2 Crônicas é o decreto de Ciro, rei da Pérsia, que dá licença de volta dos judeus para Judá. Esse decreto é datado com de 538 a. C. e temos a impressão de que Crônicas foi escrito (no texto que deu origem ao texto final) pouco tempo depois, quando o povo volta pra casa e precisa ter o resgate da história de sua nação.
 
No entanto, não podemos descuidar da informação da última pessoa mencionada na Genealogia dos reis em Crônicas, que é Anani, décima geração do rei Jeoaquim (ver 1 Crônicas 3.16-24). Jeoaquim foi deportado pra a Babilônia em 597 a. C. Se cada geração for medida com cerca de 25 anos, o nascimento de Anani pode ter acontecido por volta de 400 a. C., o que nos levaria a uma data para situar o texto final de Crônicas (que temos dividido em 2 livros) após esse evento.
  
O livro
O livro de 2 Crônicas cobre o período que vai do começo do reinado de Salomão, em 971 a. C., até ao final do exílio, aproximadamente em 538 a. C. No entanto, o cenário específico em que 1 e 2 Crônicas são escritos (como já escrevemos, originalmente como um único livro) é o período de tempo que vem depois do exílio. Durante essa época, o mundo antigo estava sob o controle do poderoso Império Persa. Tudo o que restou dos gloriosos reinados de Davi e Salomão foi a pequena província de Judá. Os persas substituíram o rei por um governador provincial. Apesar da licença para voltar a Jerusalém e reconstruir o templo, a situação era muito diferente da dos anos dourados de Davi e Salomão.

Notamos no livro de 2 Crônicas duas divisões principais:

A primeira é constituída pelos primeiros 9 capítulos, que descreve em linhas gerais o reinado do rei Salomão. A narrativa dá bastante importância à construção do templo, à riqueza e à sabedoria desse rei;

A segunda divisão do livro é formada pelos capítulos 10 a 36. Depois da divisão do reino, o livro se concentram quase que exclusivamente no Reino do Sul, Judá, e discorre sobre a história do Reino do Norte, Israel, só ocasionalmente. Conta a história do reino até o momento do cativeiro babilônico, em 586 a. C.

Mostrando em suas páginas que o livro foi escrito após o cativeiro, a sua conclusão é o decreto de Ciro libertando e permitindo a volta do povo para Judá (36.22,23).

Esboço de 2º Crônicas 
I. O período de governo do rei Salomão 1.1-9.31
  A ascensão de Salomão como rei 1.1-17
  A realização da construção do tempo 2.1-7.22
  A riqueza de Salomão 8.1-9.31
 
II. Os governos dos reis de Judá 10.1-36.16
  O reinado de Roboão 10.1-12.16
  Abias 13.1-22
  Asa 14.1-16.14
  Josafá 17.1-20.37
  Jeorão 21.1-20
  Acazias 22.1-9
  Atalia 22.10-23.15
  Joás 23.16-24.27
  Amazias 25.1-28
  Uzias 26.1-23
  Jotão 27.1-9
  Acaz 28.1-27
  Ezequias 29.1-32.33
  Manassés 33.1-20
  Amon 33.21-25
  Josias 34.1-35.27
  Joacaz 36.1-3
  Jeoaquim 36.4-8
  Joaquim 36.9-10
  Zedequias 36.11-16

III. Cativeiro e retorno de Judá 36.17-23
  O cativeiro de Judá: Babilônia 36.17-21
  O decreto de Ciro para o retorno de Judá 36.22,23
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 03/09/07 por e-mail.