Comentário de livro Bíblico: Juízes

16/07/2007


Autor
O autor de Juízes é desconhecido. Podemos pensar que o livro já estava escrito quando Davi tomou Jerusalém. E, mesmo sem certeza, há uma grande possibilidade do autor de Juízes ser o profeta Samuel ou, pelo menos, o autor do livro teria usado alguns registros históricos feitos por Samuel, que também era escritor (1 Samuel 10.25). A crise apresentada no Apólogo de Jotão (9.7-18) é bem característica da época de Samuel, quando o povo pede um rei e ele tenta argumentar em contrário, até que o Senhor dá a ordem do que fazer (1 Samuel 8-10). Por conta disso, entendemos que o livro tem grande influência de Samuel, se é que ele não escreveu ao menos partes do mesmo. Pode, inclusive, ter escrito o livro todo.
  
Data do livro
O Livro de Juízes cobre o período entre a morte de Josué e a instituição da monarquia. A data real da composição do livro é desconhecida. No entanto, as evidências internas que citamos acima (Apólogo de Jotão, por exemplo) indicam que ele foi escrito durante o período inicial da monarquia, ainda no reinado de Saul, antes da morte de Samuel. Esta data tem o apoio de dois fatos:
 
1) As palavras “naqueles dias, não havia rei em Israel” (17.6) foram escritas num período em que Israel tinha um rei (se existe a necessidade de declarar que não havia rei antes, é porque a situação mudou);
 
2) A declaração de que “os jubuseus habitaram com os filhos de Benjamim em Jerusalém até ao dia de hoje” (1.21) aponta para um período anterior à conquista da cidade de Jerusalém por Davi (2 Samuel 5.6,7).
  
O livro
Juízes cobre um período complicado na história de Israel: cerca de 1380 a 1050 a. C. Sob a liderança de Josué, Israel conquistou e ocupou de forma geral a terra de Canaã, mas grandes áreas ainda ficaram para novas lutas e para serem conquistadas pelas tribos individualmente.
 
Israel praticava continuamente o que era mau aos olhos do Senhor e reto aos seus olhos (21.25). Ao servirem de forma deliberada a deuses estranhos (deuses dos povos já conquistados ou até mesmo daqueles que ainda não tinham sido conquistados), o povo de Israel quebrava a sua aliança com o Senhor. Em consequência, o Senhor não dava vitória em batalhas travadas.
 
No livro de Juízes, temos um movimento de queda e acerto. Cada vez que o povo clamava ao Senhor, Ele, com fidelidade à aliança firmada com o povo anteriormente, levantava um juiz a fim de prover libertação ao seu povo. Estes juizes, escolhidos e ungidos pelo Senhor, eram militares e civis. A liderança desses Juízes fazia o povo caminhar em retidão debaixo da vontade do Senhor. Mas sempre que morria um juiz, o povo voltava a praticar o que era errado. Iniciava um novo ciclo de queda espiritual, derrota nas batalhas, clamor pela intervenção divina e novamente, liderado por um juiz, conseguia vitória e passava por um período realizando a vontade do Senhor. Parecia que o povo sentia a necessidade de uma liderança na terra para continuar seguindo a vontade do Senhor. Isso parece ser o prenúncio da monarquia, que por conta da história dos juízes parece que seria uma chance do povo seguir a vontade do Senhor, mas que se mostrou infrutífera, principalmente quando o rei não buscava realizar a vontade do Senhor. Mas isso está em outros livros da Bíblia.
  
Esboço de Juízes 
I. Introdução: Canaã após a morte de Josué 1.1-3.6
  Continuidade das conquistas 1.1-26
  Ainda não foi completa a conquista 1.27-36
  A aliança do Senhor é quebrada 2.1-5
  Introdução ao período dos juízes 2.6 –3.6
 
II. História de declínio espiritual e acertos com o Senhor durante o período dos juízes 3.7-16.31
  Otniel 3.7-11
  Eúde 3.12-30
  Sangar 3.31
  Débora e Baraque 4.1 - 5.31
  Gideão 6.1 - 9.57
  Tola 10.1-2
  Jair 10.3-5
  Jefté 10.6-12-7
  Ibsã 12.8-10
  Elom 12.11-12
  Abdom 12.13-15
  Sansão 13.1 - 16.31
 
III. Conclusão: Condições que ilustram o período dos juízes 17.1-21.25
  Apostasia: A idolatria de Mica e a migração dos danitas 17.1 –18.31
  Imoralidade: Atrocidade em Gibeá e a guerra benjamita 19.1-21.25
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 16/07/07 por e-mail.