Comentário de livro Bíblico: Números

25/06/2007


Autoria
A tradição judaica define Moisés como o autor de Números. Aliás, define como livros de autoria Mosaica os 5 primeiros livros da Bíblia que, juntos, são chamados de Pentateuco. Entendemos que o texto tomou forma final muito tempo após Moisés. Assim, o que nos parece plausível é que a tradição confirma a autoria mosaica exatamente por conta de uma situação muito corriqueira no mundo antigo: a ausência de direitos autorais sobre o texto final. Normalmente, quem escrevia, ainda que fosse outra pessoa, atribuía a autoria a quem passou o ensinamento, quer por tradição oral, quer por ter deixado alguns escritos que foram ampliados depois com o auxílio da tradição oral ou pesquisa. Se havia alguém que começou a ensinar daquela forma, quem deu forma final ao texto era esquecido como autor e a autoria do texto era atribuída a quem iniciou ou a tradição oral ou a escrever, ainda que de forma muito resumida.

Por isso a autoria de Moisés não é questionada, quer por ele ter começado a contar a história, quer por ele realmente ter escrito algumas das coisas dos textos do Pentateuco, mas é claro que só muito tempo depois dele que o texto tomou forma final.

Data
A data tradicional para o êxodo do Egito está no meio do décimo quinto século a.C. Moisés, se escreveu algo, dificilmente teria escrito algo antes disso! Definimos essa data para o Êxodo por conta do que vemos em 1 Reis 6.1, que afirma que Salomão começou a construir o templo “no ano quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito”. Entende-se historicamente que Salomão tenha iniciado a construção perto do ano 960 a.C., o que dataria o êxodo por volta do ano 1440 a.C.

Com esses dados, entendemos que o texto do Pentateuco foi iniciado por Moisés por volta do ano 1.440 a.C., e encerrado na época do reino, tanto de Davi que incentivou a escrituração dos livros, como de Salomão, que ampliou esse evento. A data exata não pode ser definida, mas está dentro dos 80 anos dos reinados de Davi e Salomão, antes de 930 a.C.

Conteúdo
Em hebraico, o nome do Livro de Números significa “No Deserto”. O título hebraico é tirado da primeira linha do livro, que era uma forma costumeira de dar nome às obras antigas (quer a primeira frase ou apenas a primeira palavra). O título “Numeroso“ é derivado da versão grega da obra.

O Livro de Números continua o relato do período mosaico, que se inicia com o Êxodo. Começa com Israel ainda no Sinai. A entrada dos israelitas no deserto do Sinai é registrada em Êxodo 19.1. Israel deixa o Sinai em Números 10.11.

Números possui duas divisões principais:
 
1) a parte contendo instruções enquanto ainda no Sinai (1.1-10.10), como parte da preparação para a viagem que será realizada;
2) a viagem no deserto (10.11-36-13).

Esboço de Números
I. Instruções para a viagem do Sinai 1.1-10.10
  Relato sobre a tomada do censo 1.1-4.9
    1) Censo militar 1.1-2.34
    2) Censo não militar: levitas 3.1-4.49
  Instruções e relatos adicionais 5.1-10.10
    1) Cinco instruções 5.1-6.27
    2) Ofertas dos líderes 7.1-89
    3) Levitas dedicados 8.1-26
    4) Segunda Páscoa 9.1-14
    5) Direção pela nuvem e fogo 9.15-23
    6) As trombetas de prata 10.1-10
 
II. Relato da viagem do Sinai 10.11-36.13
  Rebelião e punição da primeira geração 10.11-25.18
    1) Relato da primeira marcha do Sinai 10.11-36
    2) Queixas do povo 11.1-3
    3) Ansiando por carne 11.4-35
    4) Desafio para Moisés 12.1-16
    5) Recusa a entrar na Terra Prometida 13.1-14.45
    6) Instruções relacionadas às ofertas 15.1-41
    7) Desafios à autoridade de Arão 16.1-18.32
    8) Leis da purificação 19.1-22
    9) A morte de Miriã e Arão 20.1-29
    10) Do monte Hor às planícies do Moabe 21.1-35
    11) Balaque e Balaão 22.1-25.18
  Preparo da nova geração 26.1-36.13
    1) Um novo censo 26.1-65
    2) Instruções relacionadas à herança, ofertas e votos 27.1-30.16
    3) Vingança sobre os midianitas 31.1-54
    4) As tribos da Transjordânia 32.1-42
    5) Itinerário do Egito até Moabe 33.1-49
    6) Instruções para a ocupação de Canaã 33.50-36.13

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 25/06/07 por e-mail.