Comentário devocional do Apocalipse

30/05/2007

 

Apocalipse 14.8

Um segundo anjo o seguiu, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição.

Muitos que interpretam errado esse versículo, querendo atribuir a ele a conotação de que João estaria apenas falando da queda do Império Romano, para aliviar a carga de perseguições ao cristãos e deixar claro que um dia o perseguidor iria deixar de perseguir, não conseguem entender a chave de interpretação simbólica e profética que Babilônia tem no texto Bíblico. Os judeus usavam essa expressão, os cristãos mantiveram, mas ela apenas representa algo que na origem mostrava os problemas, mas serve apenas como forma de mostrar um exemplo do que realmente é.

Vemos em Isaías 21.9b:

Então ele respondeu e disse: Caiu, caiu Babilônia; e todas as imagens esculpidas de seus deuses são despedaçadas até o chão.

Esse texto mostra que o vidente de Patmos, João, era inspirado pelo mesmo Espírito que inspirou Isaías em suas profecias. Talvez para alguns, mostre apenas que ele tinha conhecimento do que Isaías falou. Mas eu realmente acredito que era o Espírito Santo que inspirava ambos.

Para o judeu, Babilônia era o local de exílio, onde tiveram muito contato com a idolatria, onde puderam notar o que fizeram errado para vivenciar os dias do Exílio Babilônico e de onde esperavam a libertação. Assim, Babilônia representava a queda de Jerusalém, a destruição do Templo, o afastamento de suas tradições..., isso sem contar com a cultura religiosa da Babilônia que era diferente da judaica.

Diante disso, podemos notar que qualquer profeta judeu que tenha que falar sobre a queda de um império de maldades e idolatria, irá compará-lo com a Babilônia, pois essa era a representação física, real, que servia de explicação para algo que seria parecido, mas que não tinha como se explicar exatamente. Esse seria o exemplo, a forma de comparação para dar a possibilidade de entendimento.

Os cristãos mantiveram a linguagem da Babilônia, até porque os primeiros cristãos também eram judeus. Mas agora já não usavam a Babilônia como exemplo. Falavam do Império Romano, que na vida dos cristãos foi uma representação de Babilônia.

Isso que dizer que de fato os primeiros cristãos usavam a expressão Babilônia referindo-se ao Império Romano! Mas isso não quer dizer que os cristãos esperavam a queda do Império Romano apenas. A não ser que essa queda fosse de fato a instauração do Reinado de Cristo!

A expressão Babilônia, agora usada para se referir ao Império Romano, mais uma vez não quer dizer especificamente que João está falando do Império Romano. O Império que cai aqui, a Babilônia que cai, é o Império do Anti-Cristo, que também vai perseguir os cristãos (os que ficarem por aqui depois do arrebatamento - crentes carnais ou até mesmo novos convertidos), e que buscará perseguir também o povo judeu na segunda metade da Grande Tribulação.

Por isso Babilônia mais uma vez! Aqui, ela representa a Babilônia que levou para o cativeiro o povo judeu e representa o Império Romano que perseguiu os cristãos. É uma forma dos dois povos poderem entender a representação profética dessa "Babilônia" citada no texto. É a queda do Império do Anti-Cristo sendo anunciada!

"Vinho da ira da sua prostituição" - O vinho, consumido com exagero, leva quem o consome ao estado de bêbado (para alguns, bêbedo). A bebedeira causa uma confusão de pensamentos e a pessoa não consegue mais controlar seus pensamentos e atitudes. Uma pessoa no meio da bebedeira, deixa de se controlar e se for controlada pelo Espírito (uma pessoa convertida), também não consegue mais ouvir o comando do Espírito, atendendo apenas à confusão da bebedeira.

Prostituição, no texto Bíblico, nos revela muito mais que apenas a questão física, de corpo. Revela a questão da idolatria, a "prostituição" com outros deuses.

A queda dessa "Babilônia" no presente texto revela o fim do império do Anti-Cristo, que engana o povo com pronunciamentos falsos e enganosos, que possui a ajuda do Falso Profeta, que realizará prodígios para enganar espiritualmente o povo. É o fim desse tempo de engano espiritual, pois está chegando a hora da manifestação definitiva do Senhor, do Verdadeiro Deus.

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 30/05/07 por e-mail.