Comentário de Livro Bíblico: Apocalipse

28/05/2007

 

A palavra "Apocalipse" vem do grego "Apokalypsis" e significa "Revelação.

Autoria
O autor se refere a si mesmo como João (1.1,4,9; 22.8). Ele era tão bem conhecido por seus leitores e sua autoridade espiritual era tão amplamente reconhecida que ele não precisou estabelecer suas credenciais. A referência que temos para identificá-lo é que ele foi preso na Ilha de Patmos, uma "ilha-presídio" da época. Ainda assim, não é possível ter certeza sobre qual João seria este, especificamente. Mas, a tradição antiga atribui esse texto ao Apóstolo João, o que pode ser real, mas não pode ser confirmado.
 
Data
Evidências indicam que foi escrito durante um período de extrema perseguição aos cristãos, que possivelmente tenha começado com Nero depois do grande fogo que quase destruiu Roma, em 64 d. C., e continuou até seu suicídio. Segundo esta visão, portanto, o livro foi escrito antes da destruição de Jerusalém em 70 d. C., e é um profecia autêntica sobre o sofrimento continuo e a perseguição dos cristãos, que tornou-se bem mais intensa e severa nos anos seguintes. Não entendemos dessa forma.

Com base em declarações isoladas dos patriarcas na igreja primitiva, alguns estudiosos datam o livro perto do final do tempo do Imperador Domiciano (81-96 d. C.), o que nos parece mais coerente.

Conteúdo
Muitos entendem que tudo que está no livro de Apocalipse é simbólico, ou até entendem como difíceis os termos que João utilizou para a narrativa deste livro. A consequência de tal atitude é desprezar o conteúdo deste livro, quer por achar que é simbólico e para os dias em que foi escrito (tendo só o final como esperança futura) ou porque é um texto difícil de ser entendido, e por isso muitas igrejas e muitos líderes quase não pregam sobre este livro.

É claro que, assim como todos os livros da Bíblia, o Apocalipse também teve a inspiração do Espírito Santo, através de João, transcrevendo tudo o que Jesus mostrou a ele e passa inúmeras mensagens espirituais, para dizer o mínimo que tal texto nos traz.

João é arrebatado aos céus (capítulo 4), em vida, durante sua visão em que teve um encontro com o Senhor Jesus já glorificado, conforme descreveu em Apocalipse 1.12-16. O Senhor o orienta a escrever aos anjos das 7 igrejas, revelando histórias dessas comunidades, fortalecendo e exortando, mas também fala profeticamente, sobre períodos que a Igreja iria viver no curso da história.

Quanto ao fato das palavras parecerem difíceis para interpretação, podemos lembrar de textos mais novos, escritos por poetas, por exemplo, Luis de Camões (que escreveu no século XVI – e hoje vivemos o século XXI), um escritor que elaborou seus textos num período mais próximo ao nosso que o texto do Apocalipse, e muitos encontram dificuldade para entender seus escritos. Se um escritor de 5 séculos atrás (para alguns, um texto escrito por um contemporâneo nosso já pode trazer dificuldade) tem um vocabulário que pode complicar, ainda mais um que escreveu quase 20 séculos atrás! E se pararmos para analisar bem friamente o texto do Apocalipse em sua linguagem, a complicação está no momento da observação dos simbolismos, de algo que João diz para representar algo que ele viu, mas que é apenas uma forma figurada do que realmente ele viu, um exemplo, uma parábola. Até porque toda a Bíblia usa uma linguagem diferenciada, por ser um texto de uma época. Por isso temos esforços hoje para facilitar a leitura, com textos em “linguagem de hoje”, por exemplo.

Outro ponto importante é que não é possível ler o livro de Apocalipse sem entendermos o contexto histórico atual em que vivemos, já que o texto do passado aponta para um futuro, que entendemos, se aproxima.

Muitas vezes, quando lemos na Bíblia uma profecia, temos dificuldade de interpretá-la porque parece “simbólica”. Nas mensagens que enviamos normalmente nas quartas-feiras apresentamos algumas “chaves” de leitura, diante desse simbolismo. A linguagem simbólica do Apocalipse não fala de fatos simbólicos, mas sim de fatos reais. Apenas a linguagem é simbólica, mas descreve algo real. Fala sobre o tempo do fim.

Este livro possui inúmeras formas de interpretação, pelo menos há muitos que falam sobre os assuntos e falam de forma diferente. Claro que a forma correta é a forma que deve ser usada para a interpretação, mas vamos apresentar as que temos conhecimento:
 
Futurista
Esta interpretação coloca as profecias do livro de Apocalipse como fatos que ainda não se cumpriram. Tais profecias começam no capítulo 4 em diante. Claro que não podemos deixar de lado nisso as cartas escritas antes desse ponto, pois entendemos que as mesmas tanto foram escritas para contemplar situações que estavam acontecendo nas comunidades para as quais foram endereçadas, mas também são representações do que aconteceu no correr da história. Tudo indica que a igreja primitiva usou esta interpretação durante sua história evangelística, até o século IV.

Entendemos que esta é a forma correta de interpretar o Apocalipse, mas ainda apresentamos as outras formas que muitas vezes são adotadas.
 
Histórica 
Quem entende desta forma define que os fatos que João descrevia tinham lugar durante a história da igreja e insinua que todos os fatos já teriam acontecido quando olhamos para trás na história da humanidade. Obviamente, seria muito difícil encaixar TODAS as profecias do livro de Apocalipse em fatos históricos que JÁ aconteceram. Simplesmente, isto faz com que esta interpretação não tenha fundamento.

Dentro desta linha podemos encontrar também quem acredite que o Apocalipse não está apenas limitado ao correr da história da humanidade, tentando achar indícios na história de seu cumprimento no correr dos anos. Há quem acredite que o texto foi escrito antes da Queda de Jerusalém e da Destruição do Templo. Esta posição é praticamente insustentável, porque basta retrocedermos na história, tentando encaixar os eventos de Apocalipse e veremos que as profecias ainda não aconteceram. Nem mesmo os imperadores romanos, conhecidos por sua maldade, se encaixariam no perfil descrito para o anticristo. Também vemos que a profecia da profanação do Templo descrita em 2 Tessalonicenses 2.3-4 ainda não aconteceu.

Espiritualista 
Existe uma interpretação que considera todo o conteúdo do livro em sentido figurado (ou até metafórico). Esta interpretação supõe que João estaria falando de um conflito espiritual e não de uma experiência física e real. Esta interpretação tem sempre a tendência de considerar que o mundo estaria cada vez mais perfeito e que estaríamos todos ingressando em um novo reino e que as profecias seriam apenas o conflito espiritual pessoal de João. Porém, todos os acontecimentos dos séculos XX e XXI mostram que o mundo tem somente piorado, promovendo uma verdadeira degeneração da raça humana. Isto prova que esta interpretação não tem o menor fundamento.
 
O Livro 
Nas mensagens devocionais enviadas nas quartas-feiras, estamos realizando um breve comentário do livro, por perícopes, por porções do texto. Para ler mais sobre o livro, então, recomendo a leitura dessas devocionais, que estão longe de um estudo, mas servem como ponto de partida para a realização de tal.

Para acessar a parte das Devocionais, clique aqui. Não temos devocionais sobre o Apocalipse em todas as quartas-feiras, mas iniciamos o envio dessas devocionais no dia 19/04/06. Sempre nas quartas-feiras!
 
Esboço do Apocalipse 
Introdução e saudações - 1.1-8  

Visão de Jesus glorificado - 1.9-20  

Cartas às 7 igrejas - 2.1 a 3.22  

Cartas às 7 igrejas da Ásia:
Carta à Igreja de Éfeso
Carta à Igreja de Esmirna
Carta à Igreja de Pergamo
Carta à Igreja de Tiatira
Carta à Igreja de Sardes
Carta à Igreja de Filadélfia
Carta à Igreja de Laodicéia
 
Visão do trono no céu - 4.1-11
 
O livro selado e o cordeiro - 5.1-14.
 
Abertura dos 6 primeiros selos - 6.1-17.
 
Os 144 mil selados - 7.1-8.
 
Visão dos santos na glória - 7.9-17
 
Abertura do sétimo selo. As quatro primeiras trombetas - 8.1-13.
 
A quinta e a sexta trombetas - 9.1-21.
 
O anjo e o livrinho - 10.1-11.
 
As duas testemunhas - 11.1-14.
 
A sétima trombeta - 11.15-19.
 
A mulher e o dragão - 12.1-18.
 
A besta que subiu do mar - 13.1-10.
 
A besta que subiu da terra - 13.11-18.
 
O cordeiro e os remidos no monte Sião - 14.1-5.
 
Os 3 anjos e suas mensagens - 14.6-13.
 
A ceifa sobre a terra - 14.14-20.
 
As 7 taças - 15.1 a 16.21.
 
A grande Babilônia - 17.1-18
 
A queda da Babilônia - 18.1-24.
 
As bodas do Cordeiro - 19.1-10.
 
O cavaleiro do cavalo branco - 19.11-21.
 
O milênio - 20.1-6.
 
A derrota de Satanás - 20.7-10.
 
Juízo Final - 20.11-15.
 
Novo céu e nova terra - 21.1-8.
 
A Nova Jerusalém - 21.9 a 22.5.
 
Encerramento e saudação final - 22.6-21.

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 28/05/07 por e-mail.