Real X Virtual

25/05/2007

 

Mais uma sexta-feira!

A mensagem de hoje nos ajuda a pensar em como muitas pessoas precisam encarar o mundo, diante das dificuldades. Pode parecer uma história, mas acredito que a história do garoto do nosso texto é a triste história de muitos em nossos dias. Oremos para que os governantes tenham sabedoria. Oremos para que possamos ajudar a mudar esse quadro. Não é o muito fazer que pode mudar algumas histórias, mas sim o fazer, pelo menos o que der pra fazer:
 



Entrei apressado e com muita fome no restaurante.

Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar alguns bug's de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias que há tempos não sei o que são.

Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, afinal de contas, fome é fome, mas regime é regime, né?

Abri meu laptop e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim. 

- Tio, dá um trocado?
 
- Não tenho menino!
 
- Só uma moedinha para comprar um pão!
 
- Está bem, compro um para você!
 
Para variar, minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraído vendo as poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.
 
- Tio, pede para colocar margarina e queijo também!

Percebo que o menino tinha ficado ali.
 
- Ok. Vou pedir, mas depois me deixa trabalhar, estou muito ocupado, tá?
 
Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento.
 
Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir "à luta". Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.
 
- Deixe-o ficar.
 
Peço ao garçom que traga não o pão, mas uma refeição decente para o menino. Então ele sentou à minha frente e me perguntou:
 
- Tio, que você tá fazendo?
 
- Estou lendo uns e-mails!
 
- O que são e-mails?
 
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet!
 
Sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de maiores questionamentos disse:
 
- É como se fosse uma carta, só que vem pela Internet!
 
- Tio, você tem Internet?
 
- Tenho sim, essencial ao mundo de hoje!
 
- O que é Internet?
 
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual!
 
- E o que é virtual?
 
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco ia entender e ia me liberar para comer minha refeição, sem culpas.
 
- Virtual é um local que imaginamos algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.
 
- Legal isso. Adoro!
 
- Mocinho, você entendeu o que é virtual?
 
- Sim, também vivo nesse mundo virtual!
 
- Você tem computador?
 
- Não, mas meu mundo também é desse jeito virtual. Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, dia de Natal e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isso é virtual, não é tio?
 
Fechei meu laptop, não antes que lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de, literalmente, "devorar" o prato dele, paguei a conta e o troco, dei-o para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um:
 
- "Brigado" tio. Você é legal!.
 
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!

(Autor desconhecido)
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 25/05/07 por e-mail.