Comentário de Epístola: 1 João

30/04/2007

 

Data
O peso de uma tradição antiga é forte sobre João ter passado seus últimos anos em Éfeso, talvez depois de ter enviado a carta resolveu ir para lá ou pode até ter sido convidado, junto com o fato do tom dos escritos sugerirem que se trata de um produto de um homem madura que passou por experiência espiritual profunda, apontam uma data próxima ao final do século I, pouco antes de ir para Éfeso. Além disso, o caráter da heresia combatida na carta aponta para a mesma época, cerca de 90 d.C.

A Carta
João declara ter escrito para dar garantia da vida eterna àqueles que Crêem “no nome do Filho de Deus (5.13). A incerteza de seus leitores sobre sua condição espiritual foi causada por um conflito desordenado com os mestres de uma falsa doutrina. João refere-se ao ensinamento como enganosos (2.26; 3.7) e aos mestres como “falsos profetas” (4.1), mentirosos (2.22) e anticristos (2.18,22; 4.3). Eles estiveram antes com a igreja, mas tinham se afastado (2.19) e tinham se “levantado no mundo” (4.1) para propagar sua perigosa heresia.

A heresia combatida aqui era um precursor do gnosticismo do século II, que ensinava que a matéria era essencialmente ruim e o espírito era essencialmente bom. O ponto de vista dualista fez com que os falsos mestres negassem a encarnação de Cristo e, portanto, a ressurreição, porque Ele, sendo bom, não poderia ter se tornado matéria. O verdadeiro Deus, ensinavam eles, nunca poderia habitar um corpo material de carne e sangue. Portanto, o corpo humano que Jesus supostamente possuiu não era real, mas apenas aparente. João escreveu vigorosamente contra esse erro (2.22-23; 4.3).

Eles também ensinavam que, como o corpo humano era uma simples "casca" para o espírito, e como nada que o copo fizesse poderia afetar o espírito interno, as distinções éticas pararam de ser relevantes. Portanto, eles não tinham pecado, o que João responde com indignação (2.4,6,15-17; 3.3,7,9-10; 5.18).

O objetivo de João ao escrever, então, era mostrar a heresia dos falsos mestres e confirmar a fé dos verdadeiros crentes, que era diferente do que estes falsos mestres ensinavam. Dentro disso, podemos destacar que João ressalta os temas do amor, luz, conhecimento e vida em suas advertências contra a heresia. Esses elementos repetem-se por toda a carta, sendo o amor assunto predominante. Possuir amor é evidência clara de que uma pessoa é cristã, e a falta de amor indica que a pessoa está nas trevas (2.9-11; 3.10-23; 4.7-21).

João afirma que Deus é a luz, e a comunhão com Ele faz com que as pessoas caminhem em verdadeira comunhão com outros crentes. A comunhão com Deus e os irmãos permite que as pessoas reconheçam através da unção de Deus a falsa doutrina e o espírito do anticristo.

A comunhão com Deus exige que se caminhe na luz e se obedeça aos mandamentos de Deus (1.6-7; 2.3,5). O que caminha na luz “pratica justiça é justo, assim como Ele é justo” (3.7), enquanto “qualquer que não pratica a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus” (3.10). O amor ao Pai e o amor ao mundo são totalmente incompatíveis (2.15-17), e nenhuma pessoa nascida de Cristo tem o hábito de praticar o pecado (3.9; 5.18). Cristo é antítese do pecado, e Ele se manifestou para no lavar os pecados (3.5).

O capítulo 4 continua com o tema da identificação dos espíritos rivais - falsos profetas que saíram para o mundo (v.1). A fim de testar os espíritos, nós devemos encontrar quem eles reconhecem como "senhor". Todos os espíritos que não reconhecem que Jesus é Deus em carne não é de Deus (v.3).

A epístola termina com o testemunho de Jesus, o Filho de Deus. Jesus é aquele que veio. O título técnico do Messias é “aquele que havia de vir” ou “aquele que veio” (Mateus 11.3; 1 João 5.6). João o identifica como aquele que veio pela água e pelo sangue, o Deus que veio e habitou entre nós, a palavra que tornou-se carne.

Esboço de 1º João
I. A encarnação 1.1-10
  Deus tornou-se carne na forma humana 1.1-4
  Deus é luz 1.5-10

II. A vida de Justiça 2.1-29
  Caminhada na luz 2.1-17
  Advertindo contra o espírito do anticristo 2.18-29

III. A vida dos filhos de Deus 3.1-4.6
  Justiça 3.1-12
  Amor 3.13-24
  Crença 4.1-6

IV. A fonte do amor 4.7-21

V. O triunfo da Justiça 5.1-5

VI. A garantia da vida eterna 5.6-12

VII. Certeza cristãs 5.13-21

 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 30/04/07 por e-mail.