Comentário devocional do Apocalipse

11/04/2007

 

Apocalipse 12-1-6

1 E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.
2 E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.
3 E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas.
4 E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.
5 E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.
6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.


Entendo que agora João, que antes estava vendo as coisas do ponto de vista do céu (para onde ele subiu no capítulo 4), vai observar os acontecimentos dos 7 anos da Grande Tribulação, Última Semana Profética de Daniel, do ponto de vista da terra. Insisto nisso, pois esta é uma chave para entender o texto. Como escrevi em outro dia, há quem insista que no Apocalipse parece que o mundo acaba 2 ou até 3 vezes. Se lermos o texto de forma corrida, achando que cada acontecimento tem seu lugar em um momento isolado, será assim mesmo. Mas, se lembrarmos que em um momento, João conta o que vê do ponto de vista do céu e depois ele "volta no tempo" e conta as mesmas coisas do ponto de vista da terra, vamos notar que ele está falando das mesmas coisas muitas vezes, mas com ponto de vista diferente. Não de interpretação, mas como no exemplo que coloquei em outro dia: no futebol, o mesmo lance, visto de uma determinada câmera, parece normal. Visto por outra, vemos uma infração. Lembro que na Copa de 1998 houve um lance contra o Brasil em que ficamos muito indignados com o juiz por marcar um pênalti que nenhuma câmera conseguiu mostrar. Apenas 2 dias depois, com uma única câmera, pudemos notar que a infração realmente aconteceu. Várias câmeras mostraram que não! Uma, mostrou que sim. Isso por conta do ângulo de visão. Entendo que é isso que acontece na revelação do Apocalipse: João conta os mesmos momentos históricos, primeiro vendo as coisas como serão vistas do céu e depois, como serão vistas da terra.

Da mesma forma que entendo que ele inicia a visão no capítulo 4, do ponto de vista do céu, falando do arrebatamento, quando ele menciona que os tronos estão ocupados, entendo que ele começa a relatar a visão do ponto de vista da terra com o arrebatamento.

Lembramos muito da visão do Noivo que está pronto para as Bodas e a Igreja arrebatada é a Noiva. Essa é uma das formas que a Bíblia se refere para exemplificar a união dos crentes com o Senhor: o casamento.

Mas hoje, quero lembrar de outra forma: O Corpo de Cristo, sendo ele a Cabeça!

Colossences 1.18

E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.

O Corpo de Cristo só estará realmente completo quando a Cabeça estiver unida ao Corpo. Entendo que esse é o varão que nasce da mulher no texto de hoje.

Muitos interpretam esse texto como o nascimento de Cristo. Mas... Quando sua mãe, Maria, foi para o deserto e foi cuidada lá por 3 anos e meio? Isso depois que ele foi tomado para o céu! Alguns tentam explicar como se fosse a ida ao Egito... Mas Jesus foi junto! Não tinha ido para o céu! E, sinceramente, com todo respeito a quem interpreta esse texto dessa forma, eu preciso fazer uma pergunta: Por que João receberia no Apocalipse (por volta do ano 100 d. C.) a revelação do Nascimento de Cristo, sendo que o mesmo já tinha acontecido?

Já vimos que há alguns crentes (carnais) que irão passar pelo período da Grande Tribulação. Mas, lembremos, esse período será regido por um líder mundial que irá pregar a paz, a ponto de enganar a muitos! Ele não poderá, logo de cara, fazer determinadas coisas que são de sua responsabilidade no período histórico que se aproxima. Logo, durante um tempo, pregando a paz, quem estiver por aqui não terá grandes problemas. Mas com os dias seguindo e o fim se aproximando, o inimigo tentará a todo custo alterar o final da história que seguirá se confirmando! Aí, depois de conseguir o acordo de paz no oriente por 7 anos (Judeus podendo, inclusive, reconstruir o seu Templo) e ter a confiança de muitos, ele tentará aniquilar os que seguirão contrários ao seu desejo e sua opinião. Estes morrerão! E serão os que virão da Grande Tribulação como no texto que lemos em outro dia. Os crentes carnais, que num primeiro momento serão poupados (final do texto de hoje), mas que terão que morrer para dar testemunho histórico de sua fé no Senhor.

Entendo, dessa forma, que o varão que nasce aqui é a união do Corpo com a Cabeça (na outra forma de exemplo, o Casamento) e este varão, arrebatado ao céu, vai para o trono (Jesus para o seu e os arrebatados/ressuscitados em Cristo também irão para os tronos, porque vão reinar com o Senhor - Apocalipse 5.9-10). A mulher está sentido que está chegando o momento do nascimento do Varão, nascimento este que, na minha opinião, se dá no momento da união do Corpo (os crentes esprituais) com a Cabeça (Cristo). Podemos, assim, entender que a mulher seria a igreja, a instituição, a reunião dos crentes, carnais ou espirituais, e o Corpo desse varão é a Igreja, os crentes espirituais. Esses, os espirituais, serão arrebatados e confirmarão o que o texto Bíblico revela: estarão unidos com Cristo, quer na expressão do casamento (ele, Noivo e a Igreja a Noiva), quer na expressão da união do Corpo com a Cabeça. Os carnais no momento do arrebatamento, serão guardados por um período durante a Grande Tribulação, na primeira metade, antes do Anti-Cristo se revelar de fato, quando ele ainda será um homem pregando a paz. Mas depois desse período inicial, ele irá perseguir os que estiverem em oposição a ele, o que incluirá esses crentes que no momento do arrebatamento não estavam em ordem com o Senhor, que entraram pelo período da Grande Tribulação e darão seu testemunho de fé com a morte, depois de reconciliados com o Senhor.

O capítulo 12, portanto, para mim, fala sobre o arrebatamento dos que estiverem vivos naquele dia. E da união desses com Cristo. E quem fica, irá ter um período de relativa calma, pelo menos no que diz respeito a perseguição (não com relação aos acontecimentos naturais ou espirituais), mas depois da primeira metade desse tempo, irá sofrer perseguição também.
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 11/04/07 por e-mail.