Ame teu próximo como se fosse você

06/03/2007

 

Para dar continuidade ao texto de ontem:

Mateus 22.34-40

34 E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar.
35 E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:
36 Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
37 E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38 Este é o primeiro e grande mandamento.
39 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
40 Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.


Hoje a ênfase é no versículo 39:

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Taí algo difícil de ser vivido. Talvez achemos que seja mais difícil viver o amor ao Senhor, incondicionalmente, diante dos apelos do mundo ou das coisas que até achamos boas nesta vida. Mas acho que realmente fica mais difícil vivermos o amor ao próximo como a nós mesmos!

Por que?

1º) Precisamos nos amar! Vamos amar o próximo como amamos a nós mesmos! Se não nos amarmos, como amar o próximo? Devemos amar o próximo como amamos a nós mesmos, mas se não nos amamos, não nos respeitamos, não buscamos o respeito, não nos fazemos respeitar, como podemos amar o próximo? Será da mesma forma que nos amamos que o faremos. Quer dizer, se não nos amamos, não nos respeitamos, não nos fazemos respeitar e não nos damos o devido respeito, não temos como demonstrar isso ao outro!

2º) Devemos amar o outro como amamos a nós mesmos. Talvez até nos amemos, queiramos o respeito, busquemos por isso, nos apresentemos de tal forma a ponto de esperar do outro o respeito a nossas posições. Vemos o nosso lado. Esse ponto resolve o problema da primeira situação que apresentei.

A grande questão a partir da solução do primeiro ponto apresentado é que, muitas vezes, só vemos o nosso lado! Queremos que o outro nos respeite em nossas posições, mas não queremos respeitar o outro nas posições dele. Queremos ficar de "bode" naquele dia que não estamos bem, mas não aceitamos e achamos errado quando o outro fica do mesmo jeito! Queremos que, incondicionalmente, nossa posição seja atendida, e isso é bom, pois demonstra amor próprio, a base para que possamos apresentar esse amor ao outro. Mas muitas vezes só queremos do nosso lado! Queremos para nós, mas não damos atenção ao que o outro quer. Quando nós queremos, está certo e acabou, mas quando o outro quer, ainda que tenha analogia com o que vivemos antes e esperamos do outro, queremos dizer que é diferente, pois só o nosso ponto de vista deve ser respeitado. Isso está errado!

Alguns exemplos:

1) estamos mal em um dia e queremos que os outros entendam nossa situação. Todos passamos por dias assim. Mas não aceitamos que o outro também passe por isso e queremos que quando chega esse dia para a outra pessoa que não seja o tratamento igual ao que recebemos. Está errado!

2) não aceitamos as brincadeiras de outra pessoa, mas queremos brincar com ela. Está errado! Devo fazer o que vou aceitar receber.

3) quero proibir uma pessoa de fazer algo mas não aceito proibições para com a minha vontade. Está errado! Se quero proibir, tenho que me preparar para receber proibições!

4) usar outras pessoas para criar climas de problemas para que nós possamos ficar fora do real problema. Está errado! Usamos alguém para dizer algo por nós, aí fica parecendo que é a outra pessoa que disse e não nós, e nós ficamos livres para fazer o que quisermos na hora que quisermos, pois parece que é a outra pessoa que não quer. É errado!

5) querer silêncio quando vemos TV, ouvimos música ou em qualquer outra situação e não querer fazer silêncio quando o outro está fazendo a mesma coisa. Está errado! Se alguém está conversando na sala e está atrapalhando a gente e nós não gostamos, devemos não fazer o mesmo, principalmente quando reclamamos! Devemos dar o exemplo e não fazer pior!

6) querer as coisas do seu jeito sempre. Está errado! O outro também tem o direito de querer do seu jeito. Devemos dosar isso em qualquer tipo de relacionamento que temos.

Por essas coisas que escrevi e por tantas outras, me parece realmente mais difícil amar o próximo como a nós mesmos do que amar a Deus incondicionalmente.

Parece que não conseguimos dosar nossa individualidade com o relacionamento com o outro. Ou vamos abrir mão sempre, com total desprendimento (aí não nos amaremos e não poderemos devotar o amor correto ao próximo) ou queremos só do nosso jeito e o outro que faça só o que queremos. Está errado!

Para amar o outro como você se ama, devote amor a você! Não amor egoísta, que quer a suas coisas e a sua vontade apenas, mas o amor do cuidado, o amor que só faz o que vai aceitar de volta, o amor que não faz quando não vai aceitar de volta. Se você brinca, aceite brincadeiras! Se você proíbe, aceite proibições! Se você quer silêncio, faça silêncio! Se você quer ser respeitado em suas opiniões, respeite as opiniões dos outros. Se você quer questionar as opiniões dos outros, aceite que questionem a sua. Se você quer que o outro mude de opinião, mude a sua também!

Assim, poderemos dosar o amor próprio, que decide sobre sua individualidade sem egoísmos, com o amor ao próximo, que também tem sua individualidade, também tem o seu dia que não está bem, também tem o direito de ser respeitado em suas opiniões..., enfim, poderemos, de fato, amar o próximo como nos amamos a nós mesmos. Poderemos fazer e esperar do próximo o que fazemos nós também.
 

Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

Esta meditação foi enviada em 06/03/07 por e-mail.